
Você manda uma mensagem e a pessoa demora um pouco mais para responder. Percebe que ela está diferente ou mais distante e, mesmo sem saber se realmente aconteceu alguma coisa, surge a inquietação: “Será que está tudo bem entre nós?”
A partir daí, pode começar uma busca por sinais de segurança: perguntar se aconteceu algo, mandar outra mensagem, observar o comportamento do outro ou precisar ouvir novamente que continua sendo amado.
Quando essa confirmação chega, vem o alívio. O problema é quando precisamos constantemente da resposta do outro para conseguirmos nos sentir emocionalmente seguros.
Por que buscamos tanta validação?
Em alguns casos, esse comportamento pode estar relacionado a padrões de apego ansioso, nos quais existe uma sensibilidade maior a sinais de afastamento, rejeição ou abandono.
Uma pequena mudança no comportamento do outro pode ser interpretada como ameaça, aumentando a ansiedade e despertando a necessidade de buscar uma confirmação de que está tudo bem.
Isso não significa simplesmente “ser carente”. Muitas vezes, existem formas de buscar segurança emocional que foram aprendidas e reforçadas ao longo da nossa história.
O que é reforço intermitente?
Existe um conceito na Psicologia chamado reforço intermitente. O nome parece complicado, mas a ideia é simples: determinada resposta ou consequência não acontece todas as vezes.
Em uma relação, por exemplo, algumas tentativas de aproximação podem receber rapidamente atenção e carinho, enquanto outras não. Essa imprevisibilidade pode contribuir para a persistência da busca.
Quando finalmente chega a resposta esperada, a ansiedade diminui e surge o alívio. Diante de uma nova insegurança, a pessoa pode voltar a fazer aquilo que anteriormente ajudou a diminuir seu desconforto.
Assim, pode se formar um ciclo:
insegurança → ansiedade → busca por validação → alívio → nova insegurança.
Construir segurança também é olhar para si
O objetivo não é deixar de precisar do outro. Relações saudáveis envolvem afeto, apoio, proximidade e segurança.
A diferença está em não depender exclusivamente da resposta do outro para regular aquilo que sentimos.
Na psicoterapia, é possível compreender esses padrões, reconhecer pensamentos e emoções envolvidos e desenvolver outras formas de lidar com a insegurança.
Uma relação saudável não precisa ser uma prova constante de amor. Construir segurança também significa aprender, aos poucos, a encontrá-la dentro de si.





