
A depressão é um problema que atinge cerca de 15,5% dos brasileiros (segundo dados do Ministério da Saúde), muitas vezes exigindo que se avalie a necessidade de intervenção psiquiátrica. Nesse texto vou descrever alguns sinais que observo na minha prática e que, em conjunto, já nos dão uma noção razoável de quando esse encaminhamento pode ser necessário. Lembrando, é claro, que o autodiagnóstico é totalmente desaconselhável - estou apenas auxiliando-os a identificar quando procurar ajuda.
Um dos primeiros pontos que observo é se a pessoa começou a abandonar coisas que antes amava. Aqui aparece um sintoma bastante clássico — e bastante triste — da depressão: a anedonia. Anedonia é a perda da capacidade de sentir prazer em atividades que antes eram agradáveis: hobbies, interações sociais, trabalho, e assim por diante. A pessoa pode até continuar trabalhando, cumprindo suas obrigações e fazendo aquilo que sempre fez, mas passa a fazer tudo no automático. As coisas perdem a cor e o sabor.
Outro sinal importante é o isolamento progressivo. Não estou falando simplesmente de alguém que gosta de ficar sozinho ou que, eventualmente, prefere passar um fim de semana em casa. O que chama a atenção é um afastamento gradual do convívio com outras pessoas: a pessoa começa a sair menos, responde menos às mensagens, evita encontros, deixa de procurar os amigos e, pouco a pouco, vai se retirando da própria vida social.
Também é preciso prestar atenção à maneira como a pessoa passou a enxergar a si mesma. Autoacusações desproporcionais, por exemplo, podem aparecer com bastante força. É a famosa baixa autoestima, mas às vezes o fenômeno vai além de simplesmente “não gostar de si mesmo”. O psiquiatra Andrew Huberman usa a expressão anti-self confabulation, que eu costumo traduzir como autoconfabulação negativa. Trata-se, grosso modo, de distorcer fatos e construir narrativas que colocam a própria pessoa para baixo.
Exemplificando a autoconfabulação negativa: imagine, por exemplo, que você entregou um projeto no trabalho. O projeto está bom, seu chefe elogiou, tudo nos conformes. Ainda assim, você passa a reinterpretar tudo aquilo de maneira negativa: “Na verdade, eu mandei muito mal”, “Meu chefe só elogiou por educação, o projeto está horrível". A pessoa não está simplesmente fazendo uma avaliação crítica do próprio desempenho; ela está reorganizando os fatos de maneira a produzir uma conclusão negativa sobre si mesma.
Outro aspecto que merece atenção são as mudanças no próprio funcionamento físico. É aqui que entram os chamados sintomas vegetativos, isto é, alterações em funções corporais básicas. O sono pode mudar: a pessoa pode começar a sofrer de insônia ou, ao contrário, passar a dormir demais. O apetite também pode se alterar, tanto para mais quanto para menos, levando a perda de apetite ou a um aumento exagerado da fome. Pode aparecer ainda uma fadiga persistente: a pessoa fica mais lerda, mais letárgica, com menos vigor e disposição. E não é incomum que apareçam dificuldades para se concentrar, manter a atenção ou tomar decisões.
Por fim, vale observar se a pessoa começou a se descuidar de si mesma. Às vezes isso aparece de maneira bastante concreta: está engordando ou emagrecendo sem cuidar disso, deixa de prestar atenção à própria aparência e também ao ambiente, deixando a cama desarrumada, roupas fora do lugar; enfim, descuidando das coisas que antes costumava manter em ordem. Em síntese, uma deterioração progressiva do cuidado consigo mesmo e com o próprio ambiente.
Nenhum desses sinais, isoladamente, fecha um diagnóstico. O que importa é o conjunto: o que mudou, há quanto tempo mudou, com que intensidade e, principalmente, o que está acontecendo na vida daquela pessoa. É essa investigação que pode nos dizer se estamos diante de um período ruim, de um sofrimento que merece ser trabalhado em psicoterapia ou de um quadro que justifique também uma avaliação psiquiátrica.
Quem sou eu?

Viviane dos Santos Cavalari
CRP:

06/224932
Atendimento:
Online
Sou psicóloga de orientação analítica (junguiana) e dedico minha escuta a acompanhar pessoas em suas jornadas de redescoberta, transformação e reencontro consigo mesmas.
Entendo a terapia não como um lugar de julgamentos ou de fórmulas prontas, mas como um espaço seguro de travessia. Na perspectiva junguiana, não olhamos para a sua dor, ansiedade, crises ou angústias apenas como sintomas a serem eliminados a qualquer custo — mas como convites do seu inconsciente para olhar para aquilo que precisa de atenção, cuidado e integração.
Valor da Sessão / Tempo de duração
R$ 60,00
/
60 minutos
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