
A Angústia e a Palavra: O que acontece quando o "tudo bem" não dá conta do que sentimos?
Quando alguém pergunta "como você está?", qual é a sua resposta automática? Na maioria das vezes, o reflexo social nos empurra para um genérico "tudo bem", "estou cansado" ou, no máximo, um "meio mal". A rotina nos cobra pressa, mas a nossa realidade psíquica não funciona no tempo do relógio. O que acontece dentro de nós é complexo e, quando tentamos reduzir tudo a palavras tão vazias, acabamos pagando um preço alto. Na clínica psicanalítica, costumamos dizer que aquilo que não ganha palavra, vira sintoma.
14 sept 2026
Giovanna de Oliveira Barbosa Costa
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Se você sente um aperto constante no peito ao final do dia e define isso apenas como "estar mal", você está esbarrando no indizível. A angústia, para a psicanálise, é muitas vezes esse afeto sem nome. É uma energia excessiva que transborda e, por não encontrar uma representação, acaba desaguando no corpo na forma de ansiedade, insônia, irritabilidade ou dores físicas.
Reduzir nossa vivência a termos genéricos nos aliena de nós mesmos. O "mal" ou o "estresse" funcionam como uma espécie de tampa que esconde verdades muito mais profundas e singulares sobre o nosso desejo e a nossa dor.
Quando nos permitimos investigar essas palavras-tampa, as verdadeiras questões começam a aparecer:
- O que você chama de estresse pode, na verdade, ser o peso de sustentar uma imagem que não é sua.
- Aquilo que você nomeia como raiva muitas vezes é a única defesa que restou contra um profundo desamparo.
- A sua preguiça ou cansaço podem ser o disfarce de um luto não elaborado ou de uma tristeza que não teve permissão para existir.
Nomear é dar contorno ao vazio
Dar um nome exato ao que se sente não é um exercício de dicionário, é um trabalho de implicação subjetiva. Quando conseguimos encontrar a palavra que traduz a nossa dor, algo muda. Ao transformar a angústia difusa em discurso, nós a colocamos no campo do simbólico. A palavra cria uma borda, um limite para aquele sofrimento que antes parecia infinito e ameaçador.
É por isso que, muitas vezes, quando finalmente conseguimos dizer em voz alta o que de fato nos aflige, sentimos um alívio imediato. A ansiedade diminui porque o fantasma, ao ser nomeado, perde parte do seu poder assustador.
Um espaço para a própria fala
Expandir o seu repertório emocional é, no fundo, o ato de se apropriar da própria história. O processo terapêutico é justamente este lugar: um ambiente de escuta onde a sua fala ganha corpo. É o lugar onde você pode abandonar o "tudo bem" e, finalmente, escutar o que há por trás do seu próprio silêncio.
Quem sou eu?

Fabricio Meinerz Abdalla
CRP:

07/45619
Atendimento:
Presencial, Online
Iniciar um trabalho analítico é um ato que, além de demonstrar muita coragem, nos coloca em contato com a possibilidade de que algo seja feito, dito, elaborado e inscrito de maneira diferente. Uma primeira sessão instaura o início de um percurso: condensa angústias, traz uma breve noção da maneira com que falamos de nós mesmos, do jeito com que nos apresentamos ao outro, além de apontar para lugares que ainda não conseguimos chegar.
Minha escuta clínica é orientada pela psicanálise em Freud e Lacan, mantendo um constante diálogo com temas clássicos e contemporâneos em suas interfaces com o trabalho clínico.
Atendo de maneira online e presencialmente na cidade de Porto Alegre - RS.
Sou Psicólogo formado pela Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), e Mestrando no Programa de Pós-Graduação em Psicanálise Clínica e Cultura da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (PPGCLIC - UFRGS).
Valor da Sessão / Tempo de duração
R$ 60,00
/
50 minutos
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