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A grama do vizinho é sempre a mais verde. Será?

Por que passamos tanto tempo acompanhando a vida dos outros nas redes sociais? Um olhar da Psicanálise

7 jul 2026

Marta Priscila Schneider Dias

00:00 / 01:04
Saúde mental

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Você já percebeu quantas vezes abre uma rede social apenas para "dar uma olhadinha" e, quando percebe, passou vários minutos — ou até horas — acompanhando a vida de pessoas conhecidas ou completamente desconhecidas?

Esse comportamento tornou-se tão comum que, muitas vezes, nem nos questionamos sobre ele. Mas a Psicanálise nos convida a fazer justamente essa pergunta: o que estamos buscando quando dedicamos tanto tempo à vida do outro?

 

O problema não é a curiosidade

Sentir curiosidade faz parte da natureza humana. Sempre buscamos conhecer as pessoas, entender como vivem, o que fazem e como enfrentam seus desafios. O problema surge quando essa curiosidade deixa de ser ocasional e se transforma em uma necessidade constante de acompanhar a rotina alheia.

Quando isso acontece, vale a pena perguntar: o que há na vida do outro que prende tanto a minha atenção?

Na Psicanálise, dificilmente um comportamento é considerado apenas um hábito sem significado. Muitas vezes, aquilo que fazemos repetidamente comunica algo sobre nossos desejos, nossas angústias e nossos conflitos internos.

 

O olhar que revela mais sobre nós do que sobre o outro

Para Sigmund Freud, nossos comportamentos frequentemente expressam conteúdos inconscientes. Assim, acompanhar obsessivamente a vida de alguém pode ser uma tentativa, ainda que inconsciente, de responder a questões que pertencem à nossa própria história.

Às vezes buscamos modelos para seguir. Em outras, fazemos comparações constantes. Também podemos procurar confirmação de que fizemos escolhas "certas", alimentar fantasias ou tentar diminuir sentimentos de insegurança.

O curioso é que, embora o foco pareça estar na vida do outro, esse comportamento geralmente revela muito mais sobre quem observa do que sobre quem é observado.

 

As redes sociais alimentam comparações

O psicanalista Jacques Lacan afirmava que o desejo humano é profundamente influenciado pelo desejo do outro. Em outras palavras, muitas vezes desejamos aquilo que acreditamos que o outro possui.

As redes sociais potencializam esse fenômeno. Afinal, nelas costumamos mostrar nossas melhores fotos, conquistas, viagens, relacionamentos felizes e momentos especiais. Quase nunca aparecem as inseguranças, os conflitos, as perdas ou os dias difíceis.

Quando esquecemos que estamos vendo apenas uma pequena parte da realidade, começamos a comparar os bastidores da nossa vida com a vitrine da vida dos outros.

O resultado costuma ser conhecido: ansiedade, sensação de inadequação, baixa autoestima, frustração e a impressão de que sempre estamos ficando para trás.

 

Quando observar o outro se torna uma forma de evitar a si mesmo

Existe outro aspecto importante.

Muitas vezes, acompanhar incessantemente a vida alheia funciona como uma forma de evitar o contato com a própria vida.

É mais fácil assistir ao sucesso do outro do que enfrentar nossas frustrações.

É mais confortável acompanhar relacionamentos alheios do que olhar para nossas dificuldades afetivas.

É menos angustiante navegar por perfis durante horas do que entrar em contato com sentimentos como solidão, vazio ou insatisfação.

Sem perceber, podemos nos tornar espectadores da vida dos outros enquanto adiamos o protagonismo da nossa.

 

O custo emocional desse comportamento

Quanto maior o tempo investido em observar a vida alheia, menor tende a ser o investimento em si mesmo.

Projetos pessoais ficam para depois.

Relações reais perdem espaço.

Momentos de descanso tornam-se escassos.

A criatividade diminui.

E a sensação de que "a vida acontece para os outros" começa a crescer.

Não porque ela seja verdadeira, mas porque estamos olhando para uma realidade cuidadosamente editada e esquecendo de viver a nossa.

 

Como romper esse ciclo?

A mudança não começa necessariamente fechando uma rede social ou deixando de seguir determinadas pessoas.

Ela começa com perguntas.

  • O que estou procurando quando entro repetidamente nesse perfil?
  • Como me sinto depois de passar tanto tempo acompanhando a vida dos outros?
  • Esse hábito me aproxima da minha vida ou me afasta dela?
  • O que talvez eu esteja evitando olhar em mim?

Essas perguntas nem sempre produzem respostas imediatas, mas abrem espaço para um processo importante de autoconhecimento.

 

A Psicanálise propõe mudar o foco do olhar

Quando esse comportamento se torna excessivo, repetitivo ou começa a gerar sofrimento, talvez o mais importante não seja simplesmente "parar de olhar".

A questão é compreender por que esse olhar se tornou tão necessário.

É justamente nesse ponto que a psicoterapia, especialmente a Psicanálise, pode oferecer um espaço de escuta e elaboração. Em vez de combater apenas o comportamento, o processo terapêutico busca compreender sua função na história de cada pessoa.

Porque, na maioria das vezes, aquilo que fazemos repetidamente não é o problema em si. É apenas a forma que o inconsciente encontrou para expressar algo que ainda não pôde ser simbolizado.

Talvez a pergunta mais importante não seja:

"Por que passo tanto tempo olhando a vida dos outros?"

Mas sim:

"O que em mim ainda pede atenção enquanto meus olhos permanecem voltados para a vida alheia?"

Talvez seja justamente aí que comece um verdadeiro encontro consigo mesmo.

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