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Ansiedade

como funciona, como se agrava, quais seus tipos e como a Psicologia pode ajudar?

8 jul 2026

Gabriel Augusto Silva Menezes

00:00 / 01:04
Saúde mental

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A ansiedade é uma resposta emocional natural ao ser humano. Frente a alguma ameaça, nosso corpo ativa uma série de alterações fisiológicas que nos preparam para fugir ou lutar. Aceleração de batimentos cardíacos, respiração intensa, dilatação da pupila e tensionamento muscular são alterações na homeostase que compõem a ansiedade.

 

Essas alterações são esperadas e saudáveis quando se dão frente a situações tipicamente ansiogênicas, tais quais: realizar uma prova, falar em público, ter uma experiência inédita,

ver-se diante de um possível assaltante, etc.

 

A ansiedade torna-se preocupante quando há um excesso na sua duração, intensidade ou frequência ligados a um contexto específico ou situações generalizadas. Isso pode trazer muito sofrimento e gerar prejuízos consideráveis aos relacionamentos, trabalho, estudo e à rotina em geral.

 

Quando há algum excesso desse tipo na experiência de ansiedade passa-se a falar de transtornos de ansiedade. Seus tipos variam conforme o contexto que gera a ansiedade. Por exemplo:

  • Fobias específicas: apreensão, aversão e esquiva de estímulos específicos. Exemplo: fobia de animais.
  • Ansiedade Social: apreensão, aversão e esquiva de situações e interações sociais, nas quais o indivíduo pode ser julgado pelos demais, sentindo-se excluído, humilhado e/ou embaraçado.
  • Transtorno de Pânico: o indivíduo experimenta ataques de pânico repentinos e está constantemente preocupado com a ideia de ter novos ataques. Os ataques de pânico são reações fisiológicas de medo e desconforto intenso, atingindo um pico em poucos minutos e sendo acompanhados de sintomas fisiológicos e cognitivos.
  • Agorafobia: O indivíduo tem medo de estar em espaços públicos por medo de passar mal (uma crise de pânico) e não ter auxílio ou não conseguir se retirar. Essas situações em público induzem sensação de ansiedade e são muito evitadas.
  • Transtorno de Ansiedade Generalizada (TAG): O indivíduo experimenta ansiedade e preocupação persistentes e excessivas acerca de vários domínios, como trabalho e estudo. Nesse contexto, são experimentados outros sintomas como dificuldade de concentração, fadiga e perturbações do sono.

Uma pessoa que sofre com algum desses transtornos de ansiedade ou mesmo alguém sem diagnósticos pode ter sérios prejuízos na rotina tendo um quadro de ansiedade excessiva. Para escapar da sensação de ansiedade, o sujeito pode afastar-se de atividades, contextos ou até outras pessoas para não ter de lidar com esse sentimento. Ainda que essa esquiva funcione, isso se dá às custas de não envolver-se em situações que seriam prazerosas, motivadoras e cheias de propósito.

 

Ao receber uma pessoa com queixa de ansiedade no consultório, o psicólogo, em primeiro lugar, examinará em quais condições surge a ansiedade. Em quais contextos ela aparece; como o cliente se esquiva dela; quais as consequências disso; qual a frequência, duração e intensidade dessa ansiedade. Esses questionamentos são importantes para verificar se há um quadro patológico de ansiedade e ,se sim, como se instalou e vem se mantendo. A partir disso, pode-se pensar em um diagnóstico.

 

Após esse escaneamento inicial, o tratamento padrão para a ansiedade é a Dessensibilização Sistemática. O cliente passa por uma exposição à sua fonte de ansiedade para tornar esse estímulo mais tolerável. Mas não se preocupe! Isso é feito respeitando o ritmo e os limites de cada pessoa por meio das aproximações sucessivas.

 

Assim, a princípio, é apresentada uma pequena parte do que é incômodo até que esse microestímulo se torne menos ansiogênico. Em seguida, aumenta-se a proporção do estímulo e o paciente é exposto até que a experiência se torne suportável novamente. Esse processo é seguido até que o paciente consiga tolerar o estímulo original em suas proporções típicas.

 

Por exemplo, para alguém com medo de andar de carro, a primeira etapa, talvez, seja apenas permanecer dentro do carro estacionado ou até apenas abrir sua porta e olhar seu interior por um tempo. Em seguida, pode-se pensar em ficar dentro do carro com ele ligado, ouvindo o som do motor. Assim por diante, até que se tolere andar de carro.

 

Novamente, é preciso frisar que esse processo é personalizado e sensível às dificuldades e limites de cada um. O ponto de início da dessensibilização sistemática pode ser mais ou menos avançado; o período de exposição pode ser maior ou menor e o ritmo de avanço também pode ser mais ou menos acelerado. O psicólogo sempre estará atento e em consonância com o paciente, tirando-o da zona de conforto aos poucos, mas sem sair da zona de autocuidado.

 

Em conjunto com isso, são trabalhadas habilidades cognitivas. Como manter-se focado na exposição para torná-la mais eficiente. Como não se deixar levar por pensamentos que engrandecem a ansiedade e subestimam as capacidades do paciente e, muito importante, como tornar o sentimento de ansiedade em si mais tolerável. Isso permite engajar-se em atividades prazerosas e cheias de propósito mesmo que elas envolvam certa ansiedade. Como dito no início do texto, sentir certa quantidade de ansiedade é saudável.

 

Lidar com a ansiedade, tendo ou não diagnósticos, pode ser um grande desafio e fonte de muito sofrimento. Nesse processo, pode-se abrir mão de muitas coisas boas da vida para evitar situações angustiantes. Contudo, essa situação não precisa ser definitiva! Os tratamentos atuais da Psicologia são baseados em resultados científicos e trazem bons resultados. Não hesite em buscar ajuda e apoio psicológico especializado. É possível caminhar de uma vida perseguida pela ansiedade para uma vida em que se persegue sonhos.

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