
Ansiedade, obesidade e Mounjaro: como a saúde mental e física estão mais conectadas do que nunca
A relação entre saúde mental e obesidade no Brasil e os cuidados no uso de novos tratamentos como o Mounjaro
25 abr 2026
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Nos últimos anos, falar sobre saúde deixou de ser apenas discutir alimentação e exercícios. Hoje, sabemos que mente e corpo caminham juntos — e poucas condições ilustram tão bem essa conexão quanto a ansiedade e a obesidade.
No Brasil, os números chamam atenção e acendem um alerta importante: estamos diante de um cenário que exige informação, cuidado e responsabilidade.
Ansiedade: quando o alerta nunca desliga
A ansiedade, em níveis moderados, é uma resposta natural do organismo. O problema surge quando ela se torna constante, intensa e incapacitante.
Segundo a Organização Mundial da Saúde, o Brasil já esteve entre os países com maior prevalência de transtornos de ansiedade no mundo, com cerca de 9,3% da população afetada — mais de 18 milhões de pessoas. Dados mais recentes indicam que esse número pode ser ainda maior, com até 26,8% dos brasileiros relatando diagnóstico ou sintomas frequentes.
Na prática, isso significa viver em estado de alerta constante, com pensamentos acelerados, dificuldade de relaxar e, muitas vezes, impactos diretos no comportamento — inclusive na forma como nos alimentamos.
Obesidade: muito além da estética
A obesidade é frequentemente mal compreendida. Diferente do senso comum, ela não é apenas uma questão de “força de vontade”, mas sim uma doença crônica multifatorial, que envolve fatores biológicos, emocionais e sociais.
No Brasil:
31% da população vive com obesidade;
68% têm excesso de peso.
A condição mais que dobrou nas últimas décadas e a projeção é que, até 2044, quase metade dos brasileiros seja obesa.
Esses dados mostram que estamos lidando com um problema de saúde pública — e não com uma questão individual isolada.
A ligação entre ansiedade e obesidade
Ansiedade e obesidade não caminham separadas. Na verdade, elas frequentemente se alimentam uma da outra.
Estudos indicam que mais de 70% das pessoas com obesidade relatam ansiedade significativa relacionada ao corpo, à saúde e à vida social.
Isso acontece porque a ansiedade pode levar à compulsão alimentar.
A alimentação pode ser usada como forma de aliviar emoções. O estigma social aumenta o sofrimento psicológico. A culpa e a frustração reforçam o ciclo. Ou seja, não é apenas sobre comer — é sobre sentir, lidar e sobreviver emocionalmente.
Mounjaro: uma nova possibilidade de tratamento
Nos últimos tempos, um medicamento tem ganhado destaque: o Mounjaro (tirzepatida).
Inicialmente desenvolvido para tratar diabetes tipo 2, ele também mostrou resultados importantes no controle do peso. Sua ação ocorre em hormônios ligados à fome e à saciedade, o que pode resultar em:
• Redução do apetite;
• Maior sensação de saciedade;
• Perda de peso significativa;
Para muitas pessoas que já tentaram diversas abordagens sem sucesso, o medicamento representa uma nova possibilidade — mais eficaz e baseada em evidências.
⚠️ Mas atenção: não existe solução mágica!⚠️
Apesar dos avanços, é essencial ter cautela. O uso do Mounjaro — assim como qualquer medicamento — não deve ser visto como uma solução isolada.
Antes de iniciar o tratamento, é fundamental considerar:
✔️ Avaliação médica: Nem todos podem ou devem usar o medicamento. Cada caso precisa ser analisado individualmente;
✔️ Acompanhamento psicológico:
Sem entender a relação emocional com a comida, o problema não é resolvido;
✔️ Mudanças de estilo de vida:
Alimentação equilibrada, atividade física e rotina saudável continuam sendo pilares do tratamento;
✔️ Possíveis efeitos colaterais:
O uso exige acompanhamento contínuo para monitorar reações do organismo;
✔️ Evitar uso por influência de redes sociais.
⚠️O que funciona para uma pessoa pode não ser adequado para outra.⚠️
Um novo caminho: cuidar do todo, não apenas do peso
Talvez o maior aprendizado seja este: não existe saúde física sem saúde mental.
Tratar a obesidade sem olhar para a ansiedade é enxugar gelo. Da mesma forma, ignorar o impacto do corpo na mente também limita o cuidado
O caminho mais eficaz é integrado, respeitando a individualidade de cada pessoa e reconhecendo que mudanças reais levam tempo, suporte e compreensão.
Se você está lidando com ansiedade, com o peso ou com ambos, saiba que você não está sozinho — e que existem caminhos possíveis.
A ciência evoluiu, os tratamentos avançaram, mas o mais importante continua sendo o mesmo: um cuidado humano, responsável e baseado em informação de qualidade.
Nesse processo, a psicoterapia desempenha um papel fundamental. É por meio dela que se torna possível compreender a relação com a comida, os gatilhos emocionais, os padrões de comportamento e as formas de enfrentamento desenvolvidas ao longo da vida.
Mais do que tratar sintomas, a terapia promove autoconhecimento, autonomia e mudanças sustentáveis.
Cuidar da saúde mental não é um complemento — é parte essencial do tratamento.
Thaís Alves
Psicologa
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