
“Eu não sei bem por que estou sentindo isso.”
Essa é uma das frases que mais escuto no início de um processo de psicoterapia.
E, quando alguém me diz isso, eu não penso que precisamos encontrar imediatamente uma explicação.
Penso justamente o contrário: ótimo. É exatamente por aqui que a gente começa.
Você não precisa chegar à psicoterapia sabendo o que sente, tendo clareza sobre o que quer trabalhar ou conseguindo explicar perfeitamente o que está acontecendo dentro de você.
Às vezes, você só sabe que alguma coisa não está bem e isso já é suficiente para começar.
Quando ainda não existem palavras
Uma parte importante da psicoterapia é criar condições para que aquilo que ainda não pode ser nomeado comece, aos poucos, a ganhar forma. Isso acontece pela fala, mas não somente por ela. Observamos aquilo que se repete, as emoções que aparecem, os padrões que atravessam suas relações e aquilo que o corpo sinaliza.
Na psicologia junguiana, os sonhos também ocupam um lugar especial nesse processo. Eles podem trazer imagens e símbolos que expressam conteúdos que ainda não chegaram à consciência de forma clara. Não existe uma interpretação pronta para cada sonho: ele precisa ser compreendido a partir da história e das associações de quem sonhou.
Por vezes, uma imagem aparece antes mesmo de conseguirmos compreender racionalmente aquilo que estamos vivendo.
E é justamente aí que ela pode se tornar importante para o processo.
A psicoterapia não é um jogo de perguntas e respostas
Eu não estou ali para dizer o que você sente ou por que sente. Também não acredito que exista uma resposta pronta esperando para ser encontrada por mim e entregue a você. O trabalho é construído juntas, você traz aquilo que consegue colocar em palavras, e nós vamos observando conexões, repetições, contradições e sentidos que podem surgir ao longo do processo.
É um movimento de escuta, observação e construção de sentido.
Por isso, você não precisa chegar sabendo exatamente o que está acontecendo.
Podemos começar justamente pelo seu “eu não sei”.
O tempo também faz parte do processo
Aquilo que se construiu ao longo de anos dificilmente se revela em uma única conversa.
Algumas compreensões chegam aos poucos, conforme você começa a perceber conexões entre diferentes partes da sua história.
E talvez essa seja uma das partes mais importantes da psicoterapia: não apenas encontrar uma explicação para o sofrimento, mas começar a enxergar a própria história de uma maneira diferente.
Muito além de descobrir “o que você tem”
Ao compreender seus padrões, você começa a perceber de onde algumas formas de agir podem ter surgido, como determinadas experiências influenciaram sua maneira de se relacionar e quais caminhos você aprendeu a repetir.
O objetivo não é eliminar todas as contradições ou encontrar uma maneira “certa” de viver. É ampliar a consciência sobre si mesma, Porque, quando aquilo que antes acontecia de maneira automática começa a ser percebido, também surge mais possibilidade de escolha.
Se você sente que alguma coisa precisa mudar, mas ainda não consegue colocar isso em palavras, me mande uma mensagem.
A gente começa exatamente de onde você está.
Últimas publicaciones de este terapeuta




