
Acorda no mesmo lugar que deitou. Com o mesmo peso. O mesmo cansaço. Como se o sono não tivesse chegado de verdade, como se o corpo tivesse passado a noite em algum lugar que não era descanso.
E você fica se perguntando o que há de errado com você.
Mas e se não for o sono o problema?
O cansaço que o travesseiro não alcança
Existe um cansaço que o corpo não carrega. Que não some depois de oito horas, não passa com vitamina, não melhora no fim de semana prolongado. É um cansaço que mora num lugar que o descanso físico não alcança e que por isso mesmo é tão difícil de nomear.
Porque quando você não consegue apontar para uma causa concreta, a conclusão mais fácil é que o problema é você. Que você é fraca. Que outras mulheres dão conta e você não. Que deveria ser suficiente descansar mais, se organizar melhor, ter mais disciplina.
Mas não é sobre disciplina. É sobre o que está drenando de um lugar que nenhuma rotina de sono vai resolver.
O que está por baixo
Esse cansaço tem causas muito específicas e muito raramente faladas.
É o cansaço de quem está sempre disponível para todo mundo, mas nunca para si mesma. De quem absorve a emoção dos outros sem perceber, como se fosse responsabilidade sua resolver o que o outro sente, acalmar, conter, equilibrar, consertar. De quem vive sustentando relações, expectativas e papéis sem nunca ter um espaço só seu para soltar tudo isso.
É o cansaço de quem reprime o que sente para manter a paz. De quem engole o que precisa falar. De quem coloca todo mundo na frente e sobra pra si mesma só o que restou, que muitas vezes não é nada.
Ele acumula devagar. Silencioso. Sem um momento claro em que você possa dizer "foi aqui que começou". Até o dia que você acorda e não tem mais nada para dar. Qualquer coisa pequena parece grande. Qualquer demanda parece demais. E você não entende por quê, porque na superfície, nada mudou.
O que esse cansaço está dizendo
Na psicologia analítica, entendemos o esgotamento não apenas como um problema de gestão de energia, mas como um sintoma de algo mais profundo: uma psique que foi colocada inteiramente a serviço dos outros, sem espaço para existir para si mesma.
Jung descrevia a energia psíquica, a libido, no sentido junguiano, como algo que precisa fluir em equilíbrio. Quando ela é constantemente direcionada para fora, para o cuidado do outro, para a manutenção das relações, para a sustentação de papéis, sem que nada retorne para dentro, o sistema entra em colapso. Não de uma hora para outra. Devagar, silenciosamente, até que não reste mais nada.
É o sinal de quem chegou no limite de um jeito que ninguém ensinou a reconhecer.
O que lidar com isso realmente exige
Lidar com esse cansaço não é só descansar mais, embora descanso seja necessário. É entender o que está drenando de um lugar que o travesseiro não chega.
É aprender a identificar o que é seu e o que você está carregando dos outros, emoções, expectativas, responsabilidades que nunca deveriam ter sido suas. É criar limite onde antes só havia disponibilidade, não por egoísmo, mas por sobrevivência. É se perguntar quando foi a última vez que você existiu para si mesma, não para o que precisam de você.
Esse é um processo. Não acontece de uma semana para outra. Mas tem caminho e precisa ser olhado de verdade, com acompanhamento, num espaço que seja só seu.
Se você se reconheceu em alguma parte desse texto, me encontre aqui abaixo. Vamos conversar.
Thainá
Quem sou eu?

Eduardo Pimentel do Rosario
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Olá! Eu sou Eduardo Pimentel, psicólogo, e trabalho com a Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC). Acredito que a terapia é um espaço para você se compreender melhor, acolher o que sente e construir novas possibilidades para sua vida. Meu objetivo é oferecer um atendimento acolhedor, sem julgamentos e com estratégias que façam sentido para a sua realidade. Vamos juntos entender o que está acontecendo e encontrar caminhos para você viver de uma forma mais leve e consciente.
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