
Eu sei que preciso de terapia. Mas por que é tão difícil começar?
Entenda o que trava o primeiro passo. Seja para começar pela primeira vez, seja para voltar depois de ter parado
27 sept 2026
Bruna Cristina Souza Barros
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Talvez você já tenha pensado nisso mais de uma vez. Já pesquisou psicólogos, já leu textos sobre o assunto, talvez até tenha chegado a marcar uma primeira conversa e desmarcado depois. Ou talvez você já tenha feito terapia antes, sabe o quanto ajudou, e ainda assim sente uma resistência enorme em voltar.
Se isso soa familiar, quero te dizer uma coisa: isso não é falta de força de vontade. É um mecanismo psicológico bem conhecido, e entendê-lo pode ser o primeiro passo para destravá-lo.
Saber não é o mesmo que agir
Existe uma distância natural entre o que a gente sabe que seria bom fazer e o que a gente de fato faz. Na psicologia, isso é chamado de "lacuna entre intenção e comportamento", e ela aparece em praticamente todas as áreas da vida: a pessoa sabe que deveria dormir mais cedo, comer melhor, descansar, pedir ajuda. Saber é necessário, mas raramente é suficiente para gerar ação.
Isso significa que o fato de você ainda não ter ido à terapia, mesmo sabendo que precisa, não diz nada sobre seu caráter ou sua força de vontade. Diz sobre como funciona a mente humana diante de mudanças que envolvem desconforto, mesmo quando esse desconforto leva a algo bom.
Por que começar pela primeira vez é tão difícil
Na prática clínica, alguns motivos aparecem com muita frequência quando converso com pessoas que finalmente decidiram dar o primeiro passo, e quase sempre demoraram mais do que gostariam:
O medo de "não ter um problema grande o suficiente". Muita gente adia a terapia comparando a própria dor com a de outras pessoas, como se sofrimento precisasse de uma nota mínima para ser levado a sério. Não precisa.
O medo do que pode ser encontrado. Às vezes, evitar a terapia é uma forma de manter fechada uma caixa que parece pesada demais para abrir sozinha. É compreensível, só que essa caixa continua lá, mesmo fechada.
A crença de que "deveria dar conta sozinha". Especialmente em mulheres que carregam o papel de serem fortes, resolutivas, sempre presentes para os outros, pedir ajuda pode parecer uma contradição com a própria identidade.
A falta de um gatilho claro. Intenção não vira ação sozinha. Geralmente é preciso um evento, uma crise ou um limite que force a decisão. Esperar por esse gatilho é uma forma de adiar indefinidamente, porque ele pode nunca chegar do jeito que você imagina.
E quando você já fez terapia antes, e parou?
Esse talvez seja o ponto menos falado, mas um dos mais comuns na prática: pessoas que já experimentaram os benefícios de um processo terapêutico, interromperam por algum motivo, e agora sentem uma dificuldade específica (quase paradoxal) em retomar.
Alguns cenários que costumam aparecer:
Terminou "bem" e voltar parece um retrocesso. Se você encerrou o processo sentindo que tinha resolvido o que precisava, a ideia de voltar pode soar como "não deu certo da primeira vez", quando, na verdade, novas fases da vida trazem novas questões. Isso não invalida o trabalho anterior.
Terminou de forma inacabada. Às vezes o processo parou no meio, por questões financeiras, de tempo, ou porque ficou difícil demais continuar naquele momento. Isso pode deixar um desconforto residual que torna a ideia de voltar mais pesada do que começar do zero.
A vergonha de "ter que admitir" que não deu conta sozinha. Principalmente para quem já fez terapia e teve uma melhora significativa, existe às vezes a expectativa (irreal) de que aquilo deveria ter sido definitivo.
A sensação de estar recomeçando do zero. Aqui vale desfazer um mito importante: terapia não é linear. Voltar não significa perder o que já foi construído. O trabalho anterior continua fazendo parte da sua história, mesmo que o presente peça um novo ciclo de cuidado.
Voltar não é fracasso
Ninguém estranha a ideia de voltar ao médico anos depois de uma consulta, mesmo tendo saído "curado" na época. A saúde mental funciona de um jeito parecido: não é algo que se resolve de uma vez por todas, é algo que se cuida ao longo da vida, com fases de mais e menos atenção necessária.
Retomar a terapia não é um sinal de que você regrediu. É um sinal de que você está reconhecendo, de novo, que merece ter um espaço de cuidado, e isso exige tanta coragem quanto começar pela primeira vez, às vezes até mais.
Você não precisa decidir tudo agora
Se você chegou até aqui se reconhecendo em alguma dessas situações, talvez a pergunta não seja "quando vou finalmente ter certeza de que devo ir".
Talvez seja simplesmente: que tal uma primeira conversa, sem compromisso de resposta imediata, só para sentir se aquele é o espaço certo para você neste momento?
O primeiro passo não precisa ser uma decisão grande. Pode ser só isso.
Quem sou eu?

Viviane dos Santos Cavalari
CRP:

06/224932
Atendimento:
Online
Sou psicóloga de orientação analítica (junguiana) e dedico minha escuta a acompanhar pessoas em suas jornadas de redescoberta, transformação e reencontro consigo mesmas.
Entendo a terapia não como um lugar de julgamentos ou de fórmulas prontas, mas como um espaço seguro de travessia. Na perspectiva junguiana, não olhamos para a sua dor, ansiedade, crises ou angústias apenas como sintomas a serem eliminados a qualquer custo — mas como convites do seu inconsciente para olhar para aquilo que precisa de atenção, cuidado e integração.
Valor da Sessão / Tempo de duração
R$ 60,00
/
60 minutos
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