
O cérebro humano é organizado para buscar previsibilidade. Mesmo experiências dolorosas podem ser mantidas quando são conhecidas, pois oferecem uma sensação ilusória de controle e segurança.
Por isso, muitas pessoas permanecem em relações, contextos de trabalho e padrões comportamentais que produzem sofrimento. Não por ausência de desejo de mudança, mas porque mudar mobiliza medos profundos: medo de perda, de fracasso, de desorganização psíquica e de ruptura da própria identidade.
Do ponto de vista psicológico, aquilo que não é elaborado tende à repetição. Sem consciência dos próprios padrões e sem novas respostas emocionais, a vida muda os cenários, mas preserva o mesmo conflito.
Embora a mudança gere desconforto, a permanência nos mesmos ciclos implica um custo psíquico significativo: desgaste emocional, sensação de aprisionamento, empobrecimento da vitalidade e do sentido da existência.
A clínica é justamente o espaço onde a repetição pode se transformar em elaboração e o sofrimento, em possibilidade de mudança.





