
E a maternidade é onde isso fica mais evidente.
Durante séculos, a mulher não tinha voz sobre o próprio corpo, muito menos sobre o momento de parir.
O parto foi arrancado das mãos das parteiras e entregue à medicina institucional. Com isso, veio também a ideia de que a mulher não sabia o que era melhor para ela. Que precisava ser conduzida, controlada, decidida por outros. Que seu corpo era um território a ser administrado, não por ela, mas por quem tinha autoridade para isso.
Esse modelo deixou marcas que a gente ainda vê hoje.
As conquistas que vieram tarde
Os direitos vieram. Mas sempre com luta, e sempre mais tarde do que deveriam.
Apenas em 1962, com o Estatuto da Mulher Casada, a mulher pôde trabalhar sem autorização do marido. Em 1977, entrou em vigor a Lei do Divórcio. Somente com a Constituição de 1988 foi assegurada à gestante a licença-maternidade de 120 dias. E foi apenas em 2022 que a laqueadura passou a dispensar o consentimento do marido ou parceiro.
São conquistas recentes. Algumas, de ontem.
E conquistas recentes são conquistas frágeis, que ainda precisam ser defendidas, que ainda encontram resistência, que ainda não chegaram com a mesma velocidade para todas as mulheres.
O que aprendi pesquisando violência obstétrica
Me formei fazendo um TCC sobre violência obstétrica. E o que aquela pesquisa me ensinou foi que a violência no parto não começa na sala de cirurgia. Ela começa muito antes, na ideia de que a mulher não tem autoridade sobre o próprio corpo. Que outros sabem mais do que ela sobre o que ela sente, precisa e quer.
O plano de parto existe exatamente para devolver à mulher esse protagonismo. Para que ela entre no parto com voz e que essa voz seja respeitada.
Mas conquistar direitos no papel não significa que eles chegam na prática com a mesma velocidade. Até hoje, o Brasil não possui uma lei federal que especifique o que é violência obstétrica. Procedimentos feitos sem consentimento, agressões verbais durante o trabalho de parto, decisões tomadas sem consultar a mulher, continuam acontecendo. Continuam sendo normalizados. E isso adoece. Antes, durante e depois do parto.
O que o corpo carrega
Cada vez que um direito conquistado é colocado em discussão, o corpo da mulher sente. Não como reação política abstrata, como memória. Como um sistema nervoso que reconhece que o chão pode ceder. Que o que foi conquistado com tanto esforço pode não estar tão garantido quanto parecia.
Essa sensação tem nome. Tem peso. E aparece na clínica toda semana, na ansiedade que não passa, na hipervigilância que não desliga, na exaustão de uma mulher que está constantemente, mesmo sem saber, em estado de alerta.
Saúde mental não existe no vácuo
A saúde mental da mulher moderna não pode ser separada do contexto em que ela vive.
A ansiedade que ela carrega não existe no vácuo. Ela existe dentro de uma história de avanços e retrocessos. De direitos conquistados que ainda precisam ser defendidos. De um corpo que aprendeu, ao longo de gerações, que nem sempre pertence a ela.
Entender isso não é fazer política. É fazer saúde. É reconhecer que cuidar da mulher inteira significa também nomear o que a adoece, inclusive o que vem de fora dela. Inclusive o que tem endereço histórico, social, estrutural.
A psicologia que ignora esse contexto cuida do sintoma e deixa a causa intocada.
Para a mulher que está lendo isso
Seu medo faz sentido. Sua raiva faz sentido. Sua exaustão faz sentido.
Você não está exagerando. Você não está sendo dramática. Você está respondendo a uma história que é maior do que você, mas que passa pelo seu corpo todos os dias.
E isso merece ser acolhido. Não minimizado, não relativizado, não transformado em mais uma coisa para você resolver sozinha.
Se você carrega esse peso e sente que precisa de um espaço para respirar dentro dele, me encontre aqui abaixo na plataforma.
Thainá
Quem sou eu?

Ana Luisa Medeiros Fernandes
CRP:

06/222575
Atendimento:
Online
Psicóloga, graduada pela Universidade Federal do Triângulo Mineiro e em especialização em Psicologia Clínica pelo Intituto Brasileiro de Psicologia Baseada em Evidências. Com experiência em atendimento à mulheres adultas e adolescentes, minha atuação se baseia na Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC) e na Terapia de Aceitação e Compromisso (ACT).
Isso significa que vamos olhar, juntas, para os padrões que influenciam suas escolhas, aprender novas formas de lidar com o sofrimento e buscar uma vida com mais consciência, flexibilidade e sentido.
Pronta para esse passo de autocuidado? Conte comigo, estou a disposição!
Valor da Sessão / Tempo de duração
R$ 60,00
/
50 minutos
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