
Você sabia que dentro da psicologia existem várias formas de trabalho, chamadas de abordagens? Cada abordagem reúne teorias e técnicas que ajudam o psicólogo a compreender e cuidar das questões trazidas pelos pacientes. É como se cada uma fosse uma lente diferente para enxergar o ser humano e suas experiências. Todas elas são baseadas em estudos científicos e são reconhecidas pela eficácia no cuidado da saúde mental. Entre as mais conhecidas estão: a terapia cognitivo-comportamental (TCC), a psicologia comportamental, a psicanálise, a psicologia analítica, a fenomenologia existencial, a psicodramática, a Abordagem Centrada na Pessoa (ACP), entre outras. Todas têm um objetivo em comum: apoiar o sujeito em seu processo de autoconhecimento, acolher suas dores e ajudá-lo a encontrar caminhos de transformação.
E a psicanálise, como funciona? A psicanálise foi criada por Sigmund Freud, no início do século XX, e se diferencia por ter como foco o estudo do inconsciente. Mas o que é isso? Podemos imaginar o inconsciente como uma parte da mente que não está ao nosso alcance direto, mas que se manifesta o tempo todo. Nele estão guardados desejos, lembranças e sentimentos que, por algum motivo, foram reprimidos. Mesmo assim, eles continuam influenciando nossas escolhas, nossas emoções e até nossos relacionamentos.
Pense em algumas situações do cotidiano:
- Você está em um jantar e, sem querer, chama alguém pelo nome do(a) ex.
- Está atrasado para um compromisso importante e, justo nesse dia, perde as chaves de casa.
- Passa a semana inteira planejando uma fala, mas na hora de apresentar esquece justamente a parte mais importante.
- Sonha repetidas vezes com a mesma cena ou pessoa, e aquilo parece carregar um sentido que você não entende bem.
- Percebe que, mesmo tentando evitar, repete padrões nos relacionamentos ou escolhas profissionais.
Esses são exemplos de como o inconsciente encontra formas de se expressar, mesmo quando não queremos ou não percebemos. Freud chamava isso de atos falhos e formações do inconsciente. E como lidar com isso? Na psicanálise, o caminho não é reprimir ainda mais essas manifestações, mas dar espaço para que elas possam ser escutadas. O papel do psicanalista é justamente ajudar o paciente a dar sentido ao que parece confuso, repetitivo ou sem explicação. O inconsciente é estruturado como uma linguagem. Isso significa que ele se organiza como se fosse um texto escondido dentro de nós, escrito com símbolos, metáforas e lapsos. E é pela fala, no espaço analítico, que começamos a decifrar esse texto.
Outro ponto fundamental é que, para a psicanálise, todos nós somos seres faltantes. Nunca estamos totalmente completos: sempre há algo que desejamos, algo que buscamos, algo que sentimos faltar. Essa falta não é um defeito, mas uma condição humana — é o que nos move, nos impulsiona e nos faz criar. A psicanálise não promete preencher essa falta, mas ajuda a compreender como lidamos com ela: se a transformamos em desejo e movimento ou se a carregamos como peso e sofrimento.
O que acontece no consultório é um processo de fala, escuta e interpretação. Ao trazer seus pensamentos, lembranças, sonhos e sentimentos — até aqueles que parecem desconexos ou sem importância —, o paciente vai ligando pontos e descobrindo sentidos novos para sua vida. Nesse processo, é possível ressignificar dores, compreender repetições e, aos poucos, transformar a maneira como cada um se enxerga. É como se pudéssemos editar o “livro da nossa vida”: trocar um ponto final por uma vírgula, mudar um adjetivo com o qual nos descrevemos, reescrever capítulos que pareciam já fechados. A psicanálise é um convite a se ouvir de forma profunda. É um espaço para acolher as contradições, dar sentido ao que parecia sem sentido e descobrir novos caminhos para viver com mais autenticidade.
Geovanna Moreira Bastos | Psicóloga e psicanalista - CRP 01/30116
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