
Frequentemente pensamos que sabemos por que fazemos algo. Temos uma série de explicações, teorias, justificativas e motivos. Mas, de vez em quando, esse saber é furado e algo nos escapa. Pode ser uma palavra que surge em lugar de outra, um esquecimento, um sonho, uma repetição aparentemente sem sentido. É justamente ai que a psicanálise encontra o inconsciente.
Para Freud, o incosciente não é simplesmente aquilo que desconhecemos ou que está escondido em algum lugar dentro de nós. Ele se manifesta, ele da notícias nos momentos mais embaraçosos, fala e insiste em produzir efeitos. Lacan radicaliza essa ideia ao afirmar que "o inconsciente é eruturado como uma linguagem". Ele se faz presente nos tropeços da fala, nas palavras que se repetem, nos sentidos que insistem e também naquilo que dizemos sem saber que estamos dizendo, ele possui uma lógica própria, diferente da lógica da razão e do eu.
É justamente na escuta desses pontos de vacilação do discurso do paciente que o analista faz seu trabalho. Fazer análise é, em certa medida, dar lugar a esse estranho que nos habita. Não para descobrir uma verdade definitiva sobre quem somos, mas para escutar aquilo que, embora seja nosso, muias vezes não reconhecemos como tal.
É por isso que a psicanálise permanece sempre atual, porque existe algo em nós que não dominamos completamente. E é nesse ponto de não saber, nesse intervalo entre aquilo que queremos dizer e aquilo efetivamente dizemos, que o inconsciente pode encontrar sua maneira de falar.





