
Pense em uma palavra que alguém já disse para você e que nunca foi esquecida.
Não pelo significado em si, mas pelo que ela provocou.
Há palavras que apenas passam. Informam, preenchem uma conversa.
E há aquelas que ficam. Que tocam um lugar difícil de nomear.
Na clínica, isso acontece com frequência. Às vezes, uma única palavra muda o rumo de uma sessão. Ela faz aparecer algo que estava ali há muito tempo, mas ainda não tinha encontrado um jeito de ser dito.
Falar pode ser mais difícil do que ouvir.
Porque, quando colocamos algo em palavras, aquilo deixa de existir apenas dentro de nós. Ganha forma, ganha contorno, passa a ocupar um lugar no mundo.
Talvez seja por isso que algumas palavras aliviem. E outras doam tanto.
Não é a palavra, por si só. É o que ela torna possível encontrar.





