
Você sustenta ser boazinha só até perceber que tá sendo é trouxa.
E olha, não estou falando isso para ofender. Estou falando porque conheço essa mulher. Ela aparece na clínica, ela aparece na minha vida, ela provavelmente aparece na sua.
Quem é essa mulher
Ela é boa de verdade. Cuida, acolhe, não nega ajuda, está sempre disponível. Genuinamente quer o bem do outro e faz isso de um jeito tão natural que parece que nasceu assim.
E nasceu, de certa forma. Só que não do jeito que todo mundo pensa.
A psicologia analítica fala sobre o que chamamos de complexo materno positivo na mulher, uma configuração psíquica onde o cuidar, o acolher, o ser boa para o outro está muito enraizado. E positivo aqui não significa que está tudo bem. Significa que parece bem. Parece bonito. Parece até virtude.
Mas por dentro, essa mulher pode estar se anulando completamente.
A diferença que ninguém ensina
Existe uma diferença enorme entre ser uma pessoa boa e viver para ser boa para os outros. Entre cuidar porque escolhe e cuidar porque não sabe ser de outro jeito. Entre dar porque quer e dar porque tem medo do que acontece quando não dá.
Essas diferenças parecem sutis. E são, até que o corpo acusa o cansaço, a raiva aparece sem origem clara e a mulher se vê se perguntando por que ninguém cuida dela do mesmo jeito que ela cuida de todo mundo.
A boazinha que ninguém vê é exatamente essa. Por fora parece bem afinal, está ajudando, está presente, está sendo boa. Por dentro está exausta. Está com uma raiva que não sabe nomear. Está esperando, em silêncio, uma reciprocidade que raramente chega, porque as pessoas ao redor aprenderam que ela sempre vai estar lá, independente do que façam.
Quando bondade vira prisão
Não tem nada de errado em querer ser uma pessoa boa. O problema é quando isso anula quem você é. Quando sua bondade é a única coisa que você se permite ser. Quando dizer não parece uma traição à sua própria identidade, como se recusar algo fosse provar que você não é a pessoa que todo mundo pensa que é.
Esse padrão quase sempre tem uma raiz. A menina que aprendeu que era amada quando era boa. Que quando dava trabalho, o ambiente ficava tenso. Que ser fácil, agradável, disponível era a forma mais segura de existir. E essa menina cresceu e continuou sendo boa, não porque escolheu, mas porque nunca aprendeu que tinha outra opção.
Isso não é virtude. É sofrimento com um rosto bonito.
O que muda quando você percebe
Reconhecer esse padrão não significa virar uma pessoa difícil, egoísta ou que deixa de se importar com os outros. Significa começar a se perguntar, com honestidade: estou fazendo isso porque quero ou porque tenho medo do que acontece quando não faço?
Essa pergunta, sozinha, já é o começo de muita coisa.
E se você sente que chegou a hora de entender de onde vem essa necessidade de ser sempre boa e o que ela está te custando, me encontre aqui abaixo na plataforma.
Thainá
Quem sou eu?

Jaqueline Maria dos Santos Ledier
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Psicóloga clínica de adultos e idosos através da abordagem psicanalítica!
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