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Sua mãe é narcisista?

11 may 2026

Maria Clara Costa Almeida

00:00 / 01:04
Psicoeducação

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Nem toda mãe que machuca é uma “má mãe”.


E nem toda relação difícil precisa ser transformada em diagnóstico para que a dor de quem viveu aquilo seja real.

Hoje existe um movimento muito grande de tentar nomear tudo. Às vezes, qualquer comportamento difícil já vira um rótulo. Mas algumas experiências emocionais são mais complexas do que isso.

 

Existem mães que amam os filhos, mas têm muita dificuldade de enxergá-los como pessoas separadas delas

.

Mães que precisam ser admiradas o tempo inteiro. Que se ferem profundamente diante de qualquer limite. Que fazem o filho sentir culpa quando ele tenta crescer, discordar ou se afastar. E, muitas vezes, o sofrimento de quem vive essa relação aparece justamente porque passou anos tentando ocupar um lugar que nunca parecia suficiente.

 

Talvez você tenha crescido sentindo que precisava cuidar emocionalmente da sua mãe.

 

Percebendo o humor dela antes mesmo de perceber o seu.
Tentando evitar conflitos.
Tentando não decepcionar.
Tentando ser exatamente aquilo que ela precisava que você fosse.

 

E isso pode criar uma sensação muito confusa, porque, muitas vezes, existe amor nessa relação. Mas também existe medo, culpa, excesso de controle ou a sensação constante de não poder existir de forma espontânea.

Algumas pessoas cresceram ouvindo coisas como:


“Depois de tudo que fiz por você.”
“Você me magoa muito.”
“Você mudou.”
“Você era tão mais próxima de mim antes.”

 

E, aos poucos, começam a sentir que qualquer tentativa de autonomia vira uma espécie de traição.

Nessas relações, o filho frequentemente aprende a se adaptar demais.

Aprende a esconder partes de si.
A silenciar emoções.
A tomar cuidado com a própria individualidade para preservar o vínculo.

Porque, quando a relação não suporta diferenças, ser você mesma pode começar a parecer perigoso.

Muitas pessoas que viveram isso chegam na vida adulta com dificuldades que nem sempre conseguem entender:

  • culpa excessiva;
  • medo de decepcionar;
  • dificuldade de colocar limites;
  • necessidade constante de aprovação;
  • sensação de nunca ser suficiente;
  • medo de desagradar;
  • dificuldade de reconhecer os próprios desejos.

E talvez o mais doloroso seja que, muitas vezes, essas pessoas aprenderam a duvidar da própria percepção.

 

Como se estivessem sempre exagerando.
Como se fossem ingratas.
Como se o sofrimento pelo que fizzeram não pudesse existir porque “a mãe fez o melhor que podia”.

 

Mas reconhecer que algo machucou você não significa transformar sua mãe em vilã.

 

Às vezes, ela própria também viveu relações onde nunca pôde existir emocionalmente de forma segura. Às vezes repetiu dores que nunca conseguiu elaborar.

 

Entender isso pode trazer humanidade para a história. Mas não apaga as marcas.

Porque uma relação emocionalmente difícil não precisa ser perfeita para machucar. E alguém pode ter oferecido amor enquanto, ao mesmo tempo, também gerava sofrimento.

 

Talvez crescer emocionalmente também envolva conseguir olhar para essa relação com menos idealização e mais verdade.

Não para viver preso ao passado.


Mas para finalmente entender por que, durante tanto tempo, você sentiu que precisava abandonar partes suas para continuar sendo amado.

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