
Para quê serve a psicanálise? Acredito, assim como Bruno Bettelheim, que a psicanálise foi criada para capacitar o homem a aceitar a natureza problemática da vida sem ser derrotado por ela.
E o que ensinam às crianças aqueles contos de fada mais populares? Ora, ensinam que é necessário lidar com situações inesperadas e desagradáveis – muitas vezes injustas – de forma resoluta, alcançando a vitória por meio de uma luta heroica.
Nesse sentido, Bettelheim escreveu o livro A Psicanálise dos Contos de Fadas. Sua preocupação era demonstrar que as lições essenciais à vida, ainda inacessíveis à criança por meio da compreensão racional, podem ser aprendidas graças à fabricação de devaneios. Afinal, como ele diz, “as fantasias das crianças são os seus pensamentos”.
Como exemplo, veja a análise que o autor faz da história dos Três Porquinhos:
“A história ‘Os Três Porquinhos’ orienta a reflexão da criança sobre o seu próprio desenvolvimento sem nunca dizer como este deveria se dar, permitindo-lhe extrair suas próprias conclusões. Somente esse processo provê um verdadeiro amadurecimento, enquanto o dizer para a criança o que deve fazer apenas substitui o cativeiro da sua própria imaturidade pelo cativeiro da obediência aos ditames adultos”.
Essa é apenas uma pequena pílula de um livro que analisa muitas outras histórias atemporais – como A Bela Adormecida, Chapeuzinho Vermelho e João e Maria – sob o prisma da psicanálise. É uma leitura verdadeiramente enriquecedora que nos ensina a resgatar o valor dos contos de fada.
“Uai Mateus, tô achando que esse seu texto é mais uma recomendação de livro do que uma análise psicanalítica dos contos de fada!” Bem, sendo sincero, acertou em cheio. Até a próxima!





