
Há momentos em que a gente sente, mas não sabe o quê. É uma mistura que pesa no corpo, aperta o peito, acelera pensamentos. Só que sem nomear, fica difícil entender, e sem entender, fica quase impossível lidar.
Dar nome aos sentimentos não é frescura. É uma forma de organizar o que acontece por dentro. Pense em quando você engole algo pesado demais: se não mastiga, o corpo sofre para digerir. Com as emoções acontece algo parecido. Quando nomeamos, é como se estivéssemos mastigando a experiência para que ela possa ser processada.
Por exemplo, dizer “estou mal” é amplo demais. Mas quando você consegue identificar que o que sente é frustração por não ter sido ouvido, ou tristeza pela distância de alguém, o peso começa a se transformar. A palavra abre espaço para compreender de onde aquilo vem e para onde pode ir.
Muitos crescem sem aprender essa linguagem emocional. Em casa, ouviram que chorar era fraqueza, que sentir raiva era feio, que medo era coisa de covarde. Então, diante da vida adulta, carregam um vocabulário emocional reduzido, como se tivessem poucas ferramentas para lidar com tantas experiências internas.
Na terapia, esse processo de dar nome aos sentimentos é parte do cuidado. Quando o paciente diz “sinto um aperto estranho”, o trabalho é ajudar a encontrar se aquilo é ansiedade, culpa, vergonha, luto ou algo mais. Nomear não resolve tudo, mas abre a porta. É um primeiro passo para que a emoção não fique engasgada.
Talvez seja por isso que, depois de falar em voz alta o que se sente, muita gente descreve uma sensação de alívio. Não porque o problema desapareceu, mas porque, finalmente, o corpo e a mente podem respirar juntos.





