
Nem todo mundo que parece bem, está bem:
O sofrimento emocional silencioso
Vivemos em uma cultura que valoriza produtividade, força e resiliência. Muitas vezes, aprendemos desde cedo que é preciso “dar conta”, “seguir em frente” e “não demonstrar fraqueza”. Como consequência, o sofrimento emocional nem sempre é visível e, em muitos casos, torna-se silencioso. Nem toda dor se expressa em lágrimas e em crises intensas. Às vezes, ele aparece de maneira sutil: na irritação constante, no cansaço excessivo que não melhora com descanso, no isolamento gradual, na perda de motivação ou até mesmo em dores físicas recorrentes sem causa médica aparente.
Como o sofrimento pode se manifestar em diferentes fases da vida?
O sofrimento emocional não tem idade. Ele pode surgir em qualquer etapa da vida, mas tende a se manifestar de formas diferentes.
Na adolescência
A adolescência é um período de intensas transformações físicas, emocionais e sociais. Muitas vezes, esses sinais são interpretados apenas como “rebeldia” ou “fase”, quando podem estar indicando dificuldades emocionais que precisam de escuta e acolhimento. Nessa fase, o sofrimento pode aparecer como:
- Mudanças bruscas de comportamento
- Queda no rendimento escolar
- Afastamento da família
- Irritabilidade frequente
- Desinteresse por atividades antes prazerosas
Na vida adulta
Na fase adulta, o sofrimento costuma se misturar às responsabilidades. A pessoa continua trabalhando, estudando, cuidando da casa, dos filhos ou dos pais, mas por dentro sente-se sobrecarregada. O funcionamento externo permanece, mas o esgotamento interno cresce. Nessa fase, o sofrimento pode aparecer como:
- Sensação constante de fracasso
- Ansiedade silenciosa
- Autocrítica excessiva
- Sensação de estar sempre atrasado ou insuficiente
- Dificuldade em descansar sem culpa
Na terceira idade
Na velhice, o sofrimento pode ser confundido com “características da idade”. No entanto, sentimentos como apatia, tristeza frequente ou sensação de inutilidade não devem ser naturalizados. Mudanças na rotina, perdas significativas, redução de autonomia e alterações no papel social podem impactar profundamente a saúde emocional.
Quando procurar ajuda?
Existe uma ideia equivocada de que só devemos buscar ajuda quando o sofrimento é extremo. No entanto, não é preciso “estar no limite” para merecer cuidado. Se algo não está bem, isso já é suficiente.
A psicoterapia oferece um espaço seguro e ético para compreender pensamentos, emoções e comportamentos. É um processo que favorece o autoconhecimento, amplia repertórios de enfrentamento e fortalece recursos internos. Cuidar da saúde mental é investir em qualidade de vida, relações mais saudáveis e maior equilíbrio interno.
Buscar ajuda não é sinal de fraqueza.
É um ato de responsabilidade emocional.
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Amanda Lupi de Souza
Psicóloga Clínica | CRP 08/47528





