
Eu sei. Bateu torto. Mas me dá um minuto.
Pensa naquela pessoa que te irrita de um jeito que você quase não consegue explicar. Que te tira do sério, que você não suporta numa sala, que faz alguma coisa e você sente uma irritação que parece grande demais para o que aconteceu. Uma reação que, quando você para para pensar, não é proporcional à situação.
Essa desproporção é o ponto.
O que Jung chamava de projeção
Jung desenvolveu um conceito que nunca mais saiu da minha cabeça desde que entrei em contato com ele e que uso com frequência no trabalho clínico: a projeção.
A ideia é que a gente tem dentro de si partes que não aceita, não reconhece ou não quer enxergar. Partes que ficaram de fora da imagem que construímos de nós mesmas, porque não combinavam com quem queríamos ser, porque foram julgadas em algum momento, porque aprendemos que era melhor não mostrá-las.
Ele chamava esse conjunto de partes rejeitadas de Sombra.
E a Sombra precisa ir para algum lugar. Então a gente a enxerga no outro. O que nos incomoda profundamente em alguém muitas vezes é um reflexo de algo que existe em nós mesmas, e que ainda não fomos capazes de olhar de frente.
Uma distinção importante
Preciso fazer uma ressalva aqui, porque ela importa: não estou dizendo que toda irritação é projeção.
Tem gente que realmente cruza limites. Que magoa. Que é difícil de conviver por razões objetivas e legítimas. Isso é real e não precisa ser explicado pelo inconsciente.
Mas quando a irritação é desproporcional, quando aquela pessoa te afeta de um jeito que não faz sentido para o tamanho da situação, quando você percebe que a sua reação é maior do que o acontecimento justificaria, esse é o sinal de que vale se perguntar: o que em mim está sendo tocado aqui?
O que eu reconheço nessa pessoa que não quero reconhecer em mim mesma? O que ela representa que eu aprendi a rejeitar? Que parte minha ela está espelhando sem que eu tenha pedido?
Investigar não é se culpar
Essa pergunta pode gerar resistência. Porque parece que, ao investigar a própria projeção, você está tirando a razão de si mesma ou minimizando o comportamento do outro.
Não é isso.
Investigar o que suas irritações dizem sobre você não é se culpar. É se conhecer. É usar o que te incomoda lá fora como uma porta para entender o que ainda está fechado aqui dentro. É transformar o desconforto numa ferramenta de autoconhecimento, em vez de deixá-lo só como fonte de desgaste.
E esse é um movimento que muda muita coisa. Não só na forma como você lida com aquela pessoa específica mas na forma como você se relaciona com o que rejeita em si mesma.
O que a psicoterapia faz com isso
Esse é exatamente o tipo de trabalho que a psicologia analítica acompanha. Não para você se tornar uma pessoa que não se irrita com nada a irritação tem a sua função, tem o seu lugar. Mas para você entender o que suas irritações estão tentando te dizer sobre você mesma. Para que a Sombra, ao ser vista, perca o poder de te controlar sem que você perceba.
Se isso fez sentido e você sente que está na hora de começar esse processo, me encontre aqui abaixo.
Thainá
Quem sou eu?

Eduarda Regina Gonçalves Pereira
CRP:

04/86135
Atendimento:
Online
Nem sempre é fácil entender o que estamos sentindo. Às vezes, a ansiedade, as inseguranças, os relacionamentos ou os desafios da vida parecem difíceis demais para enfrentar sozinho(a).
Sou psicóloga, com atuação clínica baseada na Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC), e acredito na terapia como um espaço de acolhimento, escuta e construção conjunta.
Meu propósito é caminhar ao seu lado na compreensão de si e na construção de formas mais saudáveis de lidar com aquilo que hoje te faz sofrer.
Valor da Sessão / Tempo de duração
R$ 60,00
/
50 minutos
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