
A maneira como nos relacionamos com nós mesmos influencia diretamente a forma como vivenciamos nossas dores, desafios e sofrimentos. Existe algo profundamente transformador na maneira como escolhemos nos tratar.
Pense por um instante: quando queremos nos aproximar de alguém e construir uma amizade, como geralmente iniciamos essa relação? Na maioria das vezes, com leveza, paciência, interesse genuíno, cuidado e atenção. Criamos um espaço seguro para que o vínculo possa surgir e se fortalecer.
Curiosamente, quando nos sentimos acolhidos e compreendidos, nosso cérebro responde positivamente. Sistemas relacionados ao bem-estar e à sensação de segurança são ativados, enquanto os mecanismos de defesa tendem a diminuir sua intensidade. É como se nosso corpo entendesse que não há perigo iminente e que podemos relaxar.
Mas por que, então, tantas vezes oferecemos aos outros a compreensão que negamos a nós mesmos?
Tratar nossas questões com carinho não significa romantizar a dor ou ignorar os problemas. Significa reconhecer que cada emoção carrega uma história, uma mensagem ou uma necessidade que merece ser escutada. A tristeza, a raiva, a ansiedade e o medo não surgem por acaso. Todos os sentimentos têm algo a nos dizer.
Acolher a si mesmo não é sinal de fraqueza. Pelo contrário, exige coragem. Coragem para olhar para dentro sem julgamentos severos, sem tentativas de silenciar o que sentimos e sem fugir daquilo que precisa ser compreendido.
Quando substituímos a autocrítica pela curiosidade e nos perguntamos: “Por que estou me sentindo assim?”, abrimos espaço para a autocompreensão. Criamos oportunidades para identificar necessidades, reconhecer limites e desenvolver uma relação mais honesta e gentil conosco.
A cura nem sempre começa com respostas. Muitas vezes, ela começa com uma pergunta feita com respeito, paciência e acolhimento.
Bjs da psi 💛





