
Ansiedade: quando sua cabeça tenta dar conta de uma vida que já não cabe do mesmo jeito
Talvez você não saiba explicar exatamente o que está acontecendo.
14 sept 2026
Mirths Amaro Silva
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Talvez você não saiba explicar exatamente o que está acontecendo.
Por fora, a vida continua. Você trabalha, resolve problemas, cuida da casa, responde mensagens, toma decisões, acompanha os filhos, preocupa-se com os pais, tenta cuidar da saúde.
Mas sua cabeça parece não descansar.
Você pensa no que precisa fazer. No que esqueceu. No que pode acontecer. Repensa uma conversa. Antecipa outra. Deita cansada e, justamente quando o corpo pede descanso, a mente começa a revisar a vida.
Em alguns momentos, essa ansiedade aparece também na relação com a comida e com o corpo.
Você passa o dia tentando se controlar e, à noite, come buscando algum alívio. Depois vem a culpa. Ou percebe uma mudança no peso e começa a imaginar que está perdendo o controle novamente.
A primeira conclusão costuma ser simples:
“Preciso parar de ser tão ansiosa.”
Mas talvez exista uma pergunta anterior:
o que está acontecendo na sua vida para que sua mente esteja tentando controlar tantas coisas ao mesmo tempo?
Por que minha cabeça não para de pensar?
A ansiedade faz parte do repertório humano.
Ela participa da nossa capacidade de antecipar riscos, perceber ameaças e nos preparar para situações importantes. O problema aparece quando esse sistema permanece acionado com frequência ou intensidade suficiente para produzir sofrimento e interferir na vida cotidiana.
E nem sempre isso acontece porque existe um único grande problema.
Às vezes há muitas coisas acontecendo juntas.
Uma mulher pode estar vivendo mudanças no corpo, dormindo pior, acumulando responsabilidades profissionais, percebendo os pais envelhecendo, acompanhando os filhos se tornando mais independentes, questionando um relacionamento e começando a se perguntar se ainda deseja a vida que construiu.
Nenhuma dessas experiências, isoladamente, explica necessariamente sua ansiedade.
Mas todas fazem parte do contexto em que ela acontece.
Por isso, compreender a ansiedade exige mais do que perguntar:
“Como faço para isso parar?”
Também pode ser importante perguntar:
“O que está exigindo tanto de mim neste momento?”
Quando a preocupação vira uma tentativa de controlar tudo
Existe uma diferença entre pensar sobre um problema e permanecer presa a ele.
Você pode passar horas tentando prever possibilidades:
“E se eu tomar a decisão errada?”
“E se alguma coisa acontecer com meus filhos?”
“E se meus pais precisarem cada vez mais de mim?”
“E se eu não conseguir continuar nesse trabalho?”
“E se meu relacionamento não fizer mais sentido?”
“E se eu estiver envelhecendo mal?”
“E se eu engordar novamente?”
A mente tenta encontrar uma resposta que finalmente traga segurança.
Só que muitas situações da vida adulta não oferecem certeza completa.
Então você pensa mais.
Revisa.
Compara.
Antecipa.
Procura sinais.
Tenta chegar à decisão perfeita.
Por alguns minutos, pensar pode produzir a sensação de que você está fazendo alguma coisa. Mas, quando isso se transforma em ruminação, a mente continua trabalhando sem necessariamente produzir uma solução.
É possível estar exausta de pensar e ainda sentir que não chegou a lugar algum.
Às vezes a ansiedade aparece no corpo. E na relação com ele.
Para algumas mulheres, a ansiedade também encontra outro caminho: a comida e o corpo.
Depois de um dia difícil, comer pode oferecer prazer, pausa, distração ou alívio.
Isso não significa automaticamente compulsão alimentar. Também não significa simplesmente “falta de controle”.
A comida pode ter adquirido diferentes funções ao longo da vida.
O problema é que, quando ela é seguida por culpa e autocobrança, começa outro ciclo:
tensão → comida → alívio momentâneo → culpa → tentativa de controle → nova tensão.
É nesse ponto que muitas mulheres começam a dizer:
“Eu desconto minha ansiedade na comida.”
“Eu sei o que deveria fazer, mas não faço.”
“Meu problema é falta de disciplina.”
“Eu me saboto.”
Talvez essas frases precisem ser examinadas com mais cuidado.
Antes de concluir que você está se sabotando, pode ser mais útil perguntar:
o que a comida está fazendo por você naquele momento?
Ela está oferecendo uma pausa?
Está diminuindo uma tensão?
Está funcionando como recompensa depois de um dia em que você cuidou de todo mundo?
Está criando alguns minutos de prazer numa rotina que quase não tem espaço para você?
Compreender a função de um comportamento não significa ignorar suas consequências. Significa criar condições melhores para modificá-lo.
E quando o medo é engordar?
A ansiedade também pode aparecer na vigilância permanente do corpo.
A balança muda e o dia muda junto.
Uma roupa aperta e rapidamente surge uma sequência de pensamentos:
“Engordei.”
“Estou perdendo o controle.”
“Vou voltar para onde estava.”
“Estraguei tudo.”
Isso pode acontecer inclusive durante um processo de emagrecimento.
O corpo muda, mas a maneira de enxergá-lo nem sempre muda na mesma velocidade.
Uma mulher pode emagrecer e continuar verificando o espelho compulsivamente, comparando fotografias, temendo recuperar peso ou sentindo que ainda precisa emagrecer mais para finalmente se sentir segura.
Nesse caso, talvez a ansiedade não esteja falando apenas sobre quilos.
Pode estar tocando numa história muito mais antiga sobre corpo, controle, valor pessoal, vergonha, pertencimento e medo de fracassar outra vez.
A pergunta deixa de ser somente:
“Como faço para não engordar?”
E passa a incluir:
“Por que a possibilidade de meu corpo mudar novamente desperta tanto medo em mim?”
Depois dos 40, algumas peças também começam a se mover
Para muitas mulheres, existe ainda outra camada.
Entre os 35 e os 55 anos, diferentes mudanças podem coincidir.
O corpo pode começar a responder de outro jeito. O sono muda. O climatério pode trazer sintomas físicos e emocionais. Os filhos precisam menos. Os pais podem precisar mais. A carreira pode deixar de fazer sentido. O relacionamento pode ser questionado. A imagem no espelho muda.
E a mulher que passou décadas sabendo o que precisava fazer começa a não ter tanta certeza.
Nesse momento, a ansiedade pode se misturar à sensação de perda de referências.
Você continua tentando organizar a vida com estratégias que funcionaram durante anos, mas percebe que alguma coisa mudou.
Talvez seja justamente por isso que tentar simplesmente “voltar a ser como antes” seja tão frustrante.
Pode haver uma reorganização acontecendo.
Então é ansiedade, hormônio, estresse ou uma fase da vida?
Nem sempre é possível responder isso olhando apenas para um sintoma.
Ansiedade pode coexistir com estresse, privação de sono, mudanças hormonais, sobrecarga, conflitos relacionais, mudanças profissionais, dificuldades com a alimentação e questões de autoimagem.
Também existem transtornos de ansiedade que precisam de avaliação adequada.
Por isso, reduzir tudo a “é hormonal” pode ser tão insuficiente quanto dizer “é tudo psicológico”.
Corpo, história, emoções, comportamento, relações e contexto não vivem em compartimentos separados.
Dependendo do que está acontecendo, pode fazer sentido conversar com profissionais diferentes e construir um cuidado integrado.
O que você pode começar a observar
Em vez de tentar resolver toda a ansiedade de uma vez, experimente observar como ela funciona na sua vida.
Quando ela costuma aumentar?
O que estava acontecendo antes?
Quais pensamentos aparecem repetidamente?
Existe algum problema concreto que precisa de ação ou sua mente está tentando obter certeza sobre algo que não pode ser completamente previsto?
Como anda seu sono?
O que mudou recentemente na sua vida?
Como estão suas responsabilidades?
Você tem espaço para descanso sem culpa?
Quando fica ansiosa, o que acontece com sua alimentação?
O que acontece com a maneira como você olha para seu corpo?
Existe alguma decisão que vem sendo adiada?
E talvez uma pergunta especialmente importante:
o que você está tentando sustentar hoje que já está custando caro demais?
Você não precisa responder tudo imediatamente.
Observar já é diferente de apenas reagir.
Quando procurar ajuda psicológica?
Não existe necessidade de esperar a situação ficar insuportável.
Vale considerar uma avaliação profissional quando a ansiedade é frequente, difícil de manejar ou começa a interferir no sono, na alimentação, no trabalho, nos relacionamentos, nas decisões ou na sua capacidade de viver o cotidiano.
Também pode fazer sentido procurar ajuda quando você percebe que passa muito tempo ruminando, tentando controlar situações incertas, evitando experiências por medo, usando a comida repetidamente para regular emoções ou vivendo em estado permanente de vigilância sobre o corpo e o peso.
O cuidado psicológico não precisa começar com a promessa de “eliminar sua ansiedade”.
Ele pode começar ajudando você a compreender:
o que está acontecendo, o que precisa de atenção e que tipo de cuidado faz sentido para o momento que você está vivendo.
Dependendo da necessidade, esse cuidado pode ser pontual e focal, acontecer em um processo breve ou pedir um acompanhamento psicoterapêutico continuado. Em algumas situações, também pode ser importante trabalhar em conjunto com outros profissionais de saúde.
Talvez a pergunta não seja apenas “como faço essa ansiedade passar?”
Ansiedade merece cuidado quando produz sofrimento.
Mas ela também merece contexto.
Porque existe diferença entre sentir ansiedade diante de uma vida exigente e viver um transtorno de ansiedade.
Existe diferença entre comer em um momento de tensão e apresentar um transtorno alimentar.
Existe diferença entre desejar emagrecer e organizar o próprio valor em torno do peso.
E existe diferença entre atravessar uma fase difícil e precisar continuar vivendo exatamente como antes.
Talvez você esteja tentando silenciar a ansiedade antes mesmo de compreender o que está acontecendo ao redor dela.
Então experimente mudar a pergunta.
Em vez de somente:
“O que há de errado comigo?”
Pergunte também:
“O que, na minha vida hoje, está pedindo atenção?”
Às vezes, esse é um bom começo para voltar a se escutar.
Se você se reconheceu neste texto
Você não precisa decidir sozinha, antes mesmo de conversar com uma profissional, se precisa de uma sessão pontual, de um processo focal ou de uma psicoterapia continuada.
Uma avaliação psicológica pode ajudar a compreender sua necessidade atual e quais possibilidades de cuidado fazem sentido para você.
Mirths Amaro | Psicóloga
Atendimento psicológico para mulheres em diferentes momentos de mudança, com atenção às relações entre emoções, corpo, identidade, comportamento e travessias da vida adulta.
Agende uma conversa: @mirthsamaro
TAGs: Ansiedade feminina, ruminação, preocupação excessiva, mente acelerada, ansiedade e alimentação, comer emocional, autoimagem, medo de engordar, relação com o corpo, climatério, transições da vida adulta, mulheres 40+, sobrecarga emocional, autocobrança, psicologia para mulheres, saúde emocional feminina.
Quem sou eu?

Ana Clara Martins Domingos Oliveira
CRP:

04/87067
Atendimento:
Online
Um espaço para você se escutar, se compreender e cuidar de si.
Olá, sou Ana Clara Martins, psicóloga clínica, formada pela ESAMC Uberlândia, com atuação clínica e orientação psicanalítica.
Acredito que a psicoterapia pode ser um espaço de acolhimento e escuta, onde você não precisa ter todas as respostas e nem saber exatamente por onde começar. É um lugar para falar sobre aquilo que você sente, pensa e vive, com liberdade e sem julgamentos.
Ao longo da vida, podemos nos deparar com situações que despertam ansiedade, inseguranças, conflitos, dificuldades nos relacionamentos, estresse ou sentimentos que nem sempre conseguimos compreender. Em outros momentos, podemos simplesmente sentir o desejo de nos conhecer melhor e compreender por que algumas situações, emoções ou padrões continuam fazendo parte da nossa história.
É nesse espaço que a terapia pode fazer sentido.
Minha prática é orientada pela Psicanálise, a partir dos estudos de Freud, Lacan e Klein, buscando compreender cada pessoa em sua singularidade. Isso significa respeitar sua história, seu tempo, seus valores e a maneira única como você vivencia o mundo.
Acolho diferentes demandas, entre elas questões relacionadas à ansiedade, autoestima, autoconhecimento, inteligência emocional, desenvolvimento pessoal, relacionamentos, manejo do estresse, fortalecimento emocional, sexualidade, religião e espiritualidade, além de outras questões que possam surgir ao longo do processo.
Meu trabalho é pautado pela ética, escuta qualificada, acolhimento e cuidado individualizado. Não existe uma fórmula pronta para cada pessoa. O processo terapêutico é construído a partir daquilo que você traz e daquilo que, juntos, podemos compreender ao longo dos encontros.
Talvez você não precise ter tudo resolvido para começar.
A terapia pode ser um espaço para compreender melhor o que você sente, elaborar conflitos, olhar para sua própria história com mais cuidado e encontrar novas formas de se relacionar consigo mesma e com o mundo.
Se existe algo em você pedindo para ser escutado, esse pode ser um momento de começar.
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