
Antes da abordagem, o vínculo
Quando alguém procura um psicólogo, é comum encontrar recomendações baseadas quase exclusivamente na
abordagem utilizada pelo profissional: TCC, psicanálise, psicologia analítica, gestalt, humanismo, entre tantas outras.
Conhecer a abordagem pode ser importante. Cada orientação possui seus pressupostos, métodos e formas diferentes de compreender o sofrimento humano. Mas será que ela deveria ser o principal critério para escolher um terapeuta?
Talvez seja mais importante, antes de tudo, observar quem está por trás daquela abordagem.
Um terapeuta pode seguir uma excelente linha teórica, mas isso não garante, por si só, que ele saiba escutar, acolher, respeitar os limites do paciente ou construir uma relação terapêutica baseada em confiança. Da mesma forma, diferentes abordagens podem produzir bons processos quando conduzidas por profissionais éticos, preparados e capazes de estabelecer um vínculo genuíno com quem procuram.
A qualidade da escuta importa. A empatia importa. A capacidade de não julgar, de respeitar o tempo do paciente e de compreender sua experiência antes de tentar interpretá-la também importa.
A psicoterapia acontece, em grande medida, na relação entre terapeuta e paciente. E essa relação precisa oferecer um espaço em que a pessoa possa se sentir segura para falar, questionar, discordar e apresentar aspectos de si que talvez não consiga mostrar em outros lugares. Por isso, talvez a pergunta não precise ser apenas: "Qual abordagem esse psicólogo utiliza?"
Também podemos perguntar: "Eu me sinto ouvido por esse profissional? Sinto que ele me respeita? Consigo estabelecer confiança com ele? Sua postura é ética e acolhedora?" A abordagem é importante mas ela é uma ferramenta, quem utiliza essa ferramenta também faz parte do processo.
No fim, mais do que encontrar a abordagem perfeita, talvez seja importante encontrar um profissional com quem seja possível construir um vínculo terapêutico de qualidade.
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