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Você sente que precisa ser uma versão editada de si para ser amado(a)?

26 feb 2026

00:00 / 01:04
Psicoterapia

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Existe um medo que muitas pessoas carregam sem perceber: o medo de desapontar as figuras mais importantes da infância. Pais, mães, cuidadores, avós — aqueles de quem dependíamos para sobreviver emocional e materialmente. Quando somos crianças, o amor dessas figuras não é apenas desejável. Ele é vital para nossa sobrevivência.

 

Por isso, desde muito cedo, aprendemos a observar:

 

O que agrada.
O que decepciona.
O que gera aprovação.
O que provoca silêncio, crítica ou afastamento.

 

Mesmo que ninguém diga explicitamente, a criança começa a organizar seu comportamento a partir de uma pergunta silenciosa: “O que eu preciso ser para continuar sendo amado?”

Na infância, adaptar-se às expectativas dos adultos não é um problema — é, na verdade, uma estratégia inteligente de sobrevivência psíquica. A criança depende emocionalmente de seus cuidadores e, por isso, tenta preservar o vínculo.

 

Algumas aprendem a ser responsáveis demais.
Outras, perfeitas.
Outras, fáceis.
Outras, silenciosas.

 

Não se trata de falsidade ou manipulação. Trata-se de proteção do vínculo. O problema é que muitas dessas estratégias continuam atuando na vida adulta.

 

Quando o amor parece condicionado a ser aquilo que o outro espera — ainda que de forma sutil — surge um movimento interno muito comum: a necessidade constante de aprovação.

A pessoa passa a observar o outro antes de agir.

 

Pergunta-se:

“Será que vão gostar de mim?”
“E se acharem ruim?”
“E se eu decepcionar?”

 

O olhar do outro vira um tipo de termômetro da própria existência. Por trás dessas perguntas existe um medo mais profundo: “Se eu for realmente quem sou, ainda vão me amar?”

 

Muitas pessoas chegam à vida adulta com uma sensação difusa de que existe algo arriscado em serem elas mesmas.

Não porque desejam mentir ou enganar, mas porque aprenderam — muitas vezes sem palavras — que certas partes de si poderiam ameaçar o vínculo. Então começam pequenas adaptações:

  • Esconder opiniões.
  • Evitar conflitos.
  • Silenciar aspectos importantes de si.
  • Não expressar desejos.
  • Adaptar-se a situações que geram desconforto.
  • Negar sua sexualidade, etc...

Assim, escolhem caminhos que causam menos impacto nos outros, mas que também as afastam de quem realmente são.

Com o tempo, essa adaptação constante pode produzir algo muito doloroso: a sensação de estar vivendo uma versão editada de si mesmo.

 

A busca intensa por aprovação costuma ter um efeito paradoxal. Quanto mais alguém tenta garantir que será amado, mais se afasta de si. E quanto mais se afasta de si, mais vazio e insegurança aparecem. Porque a pergunta interna continua sem resposta: “Se conhecessem quem eu realmente sou, ainda ficariam?”

 

Na clínica, algo aparece com frequência é o medo de decepcionar. Uma das emoções mais fortes nesse processo é a culpa. Não uma culpa moral, mas uma culpa emocional profunda — a sensação de que, ao escolher a própria vida, estamos traindo quem cuidou de nós ou quem amamos.

 

Por isso tantas pessoas permanecem: em trabalhos que não querem, em relações que não fazem bem, em versões antigas de si mesmas. Não por falta de coragem, mas por medo de romper algo afetivamente essencial.

 

Porém crescer envolver correr risco. Precisamos perceber que o amor verdadeiro não pode depender da anulação de quem somos. Isso não significa deixar de considerar o outro, nem agir com indiferença. Significa reconhecer que ser amado apenas quando se agrada não é, de fato, ser amado. É ser adaptado. E viver apenas adaptado cobra um preço psíquico alto.

 

Uma parte importante do processo terapêutico é justamente ajudar a construir um espaço interno onde alguém possa existir sem precisar pedir autorização para cada aspecto de si.

 

Isso inclui aceitar que: algumas pessoas podem se frustrar, outras podem não entender, outras podem precisar de tempo.

 

Mas também inclui descobrir algo fundamental: muitos vínculos sobrevivem à autenticidade — e alguns só se tornam verdadeiros depois dela. Ser quem se é não garante aprovação — e é justamente por isso que assusta. Mas garante algo igualmente importante: a possibilidade de viver uma vida que não exige abandonar a si mesmo para manter o amor do outro.

 

E, muitas vezes, é justamente aí que começa uma forma mais madura de vínculo — com os outros e consigo.

 

Se esse tema toca algo em você, a psicoterapia pode ser um espaço para elaborar essas experiências e construir uma relação mais autêntica consigo mesmo.

 

Um abraço,
Milena Schmitt Moura
Psicóloga Clínica | CRP 07/41927

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