
Relacionamentos amorosos raramente começam com dor. Começam com encantamento, expectativa e promessa. Mas por que tantas histórias terminam em frustração, abandono ou sofrimento emocional?
A resposta pode não estar no presente mas no passado.
O amor não começa no namoro
Do ponto de vista psicanalítico, nossas escolhas afetivas não são aleatórias. Elas carregam marcas profundas das primeiras relações que tivemos na vida: pai, mãe ou figuras cuidadoras.
É na infância que aprendemos:
- O que é amor
- Como se demonstra afeto
- Se somos dignos de cuidado
- Se o outro é seguro ou imprevisível
Sem perceber, buscamos no parceiro algo que nos é familiar — mesmo que seja doloroso.
A repetição inconsciente
Muitas pessoas dizem:
“Eu sempre atraio o mesmo tipo de pessoa.”
“Parece que minha história amorosa é um roteiro repetido.”
Isso acontece porque o inconsciente tenta reviver situações antigas com a esperança de, desta vez, ter um final diferente.
Uma criança que precisou disputar atenção pode, na vida adulta, se envolver com parceiros emocionalmente indisponíveis.
Alguém que cresceu se sentindo invisível pode se apaixonar por pessoas que não a enxergam verdadeiramente.
Não é fraqueza. É repetição psíquica.
Amor ou tentativa de reparação?
Às vezes, não escolhemos um parceiro apenas por afinidade mas por identificação emocional com nossa história.
Inconscientemente, podemos tentar:
- Consertar o pai ausente através do parceiro distante
- Ganhar o amor que nunca foi validado
- Provar que agora somos “bons o suficiente”
Mas nenhuma relação atual consegue curar sozinha feridas antigas.
Relações saudáveis começam com consciência
O primeiro passo não é trocar de parceiro.
É compreender o padrão.
Perguntas importantes:
- O que me atrai nessa pessoa?
- O que essa relação desperta em mim?
- Estou amando ou tentando ser finalmente escolhido(a)?
Quando reconhecemos nossas marcas emocionais, começamos a escolher diferente. Não por carência, mas por maturidade.
✨ Amar não precisa doer
Relacionamentos não são espaços para repetir sofrimento, mas para construir segurança, parceria e crescimento.
Autoconhecimento não é sobre culpar os pais ou o passado — é sobre assumir responsabilidade pelo presente.
Porque quando entendemos nossa história, deixamos de ser reféns dela.





