
Antes de tudo, é importante dizer que A Corda que Sai do Útero me pareceu um livro breve, delicado e profundamente poético. Por meio de seus poemas, Ana Suy convida a uma reflexão sensível sobre a gestação, a maternidade e as transformações que acompanham essa experiência. Ao longo da leitura, fui fazendo algumas relações com a psicanálise, especialmente quando a autora toca na forma como nos reconhecemos nas experiências do outro. Um dos poemas que mais me marcou sugere que, quando mulheres comentam sobre a gestação de outra mulher, muitas vezes também estão falando de si mesmas.
Outro aspecto que atravessou a obra foi a presença dos lutos. A maternidade aparece como um processo de transformações que envolve despedidas, perdas e a construção de uma nova identidade. Para mim, essa foi uma das ideias mais potentes do livro: apresentar a maternidade para além das idealizações, reconhecendo suas ambivalências, angústias e reconstruções.
Ao terminar a leitura, fiquei com a impressão de que, embora cada maternidade seja única, muitos dos sentimentos vividos nesse processo são compartilhados entre diferentes mulheres. Solidão, lutos, crises de identidade e emoções contraditórias costumam ser experimentados de forma muito íntima, mas permanecem, muitas vezes, silenciados.
Mais do que oferecer respostas, esse livro me deixou com boas perguntas e despertou em mim o desejo de conhecer outras obras da Ana Suy e de continuar estudando a maternidade em toda a sua complexidade. Afinal, sentimentos que muitas vezes vivemos como exclusivamente nossos podem, na verdade, ser partilhados por tantas outras mulheres.
Obrigada, Ana Suy. 💛
- Psicóloga Bruna ALencar
Página: @psicologabrunaalencar





