Fale: eu tenho qualidades!

Atualizado: 11 de set. de 2021


Todas as pessoas do mundo inteiro precisam socializar, seja de forma presencial ou virtual. A questão é que o ser humano não é solitário, vive há milhares de anos em comunidades, com ou sem o uso da linguagem falada como um auxílio.


Ao longo dos séculos, elas têm suas próprias experiências, que é aquilo que ao longo dos anos nos guiam em nossas vidas. Veja bem, quando erramos, podemos refletir aquilo que fizemos de errado para não mais cometer o mesmo erro. Em sua essência, chamamos isso de aprendizado.


No entanto, quando colocamos este conceito de aprendizado a partir das experiências que temos, também admitimos que nós não nos relacionamos diretamente com o mundo que habitamos. Dessa forma, nossas experiências, emoções, pensamentos e outras variáveis podem ser vistas como lentes e através delas nós agimos no mundo.


Não podemos esquecer que a sociedade que participamos tem suas próprias leis e regras, onde o indivíduo será julgado e, por vezes, pressionado a ser muito mais do que ele consegue ser e muito mais do que ele deseja ser. Somos forçados a ter um controle absurdo de tudo, onde tudo precisa sair de forma perfeita para que sejamos considerados competentes e dessa maneira, tudo se torna mais difícil para os nossos relacionamentos, tanto os que são externos quanto com nós mesmos.

As relações que temos com os outros podem ser baseadas em poder, em autoafirmação e em perdão. Quando nos relacionamos por poder, criamos uma relação de dependência, onde um possui mais conhecimento que o outro e o conhecimento de quem sabe menos é completamente anulado, sem valor ou sequer merece ser ouvido.

Nas relações por autoafirmação, gritamos coisas como um adolescente mimado que grita com seu pai que nada é justo na sua vida. Normalmente associada a um processo de rebeldia, de mostrar-se independente.


Essas duas relações são consideradas normais na vida humana e nem sempre precisam ser vistas como maléficas. Quando você entra em uma empresa, o funcionário que está há mais tempo em um cargo semelhante ao que ocupará, conhece melhor a realidade da profissão, as manhas e jeitinhos que nenhuma faculdade vai te ensinar. Isso é uma relação de poder comum e como este funcionário mais velho vai lidar com o poder que tem é uma outra coisa.


As relações de rebeldia e independência também são importantes, mas vamos ser sinceros, chega a um ponto de nossa vida que podemos admitir que o ser humano é interdependente, se entendendo como um igual. Assim, sabemos que o outro veio de algum lugar trazendo consigo seus aprendizados, medos, sentimentos e paixões. Nós não somos obrigados a concordar 100% com o que as pessoas falam ou fazem e isso não anula as colaborações que ela tenham a dar.


Mas o que isso tem a ver com o fato de eu ter ou não qualidades?

O importante aqui é entendermos que os nossos pontos de partidas e os momentos em que nos encontramos são únicos. Cada um de nós terá nossos próprios óculos para enxergar nossa realidade, por isso a mesma frase pode soar extremamente calma e doce para uns, mas para outros, pode parecer de uma violência avassaladora. Nossas experiências por vezes nos conduzem à necessidade de nos firmar e sob nenhuma hipótese nos mostramos frágeis, imperfeitos ou incapazes de lidar com nosso próprio emocional, que por vezes foi destruído de dentro para fora.


Nos tornamos incapazes de assumir essa vulnerabilidade e imperfeição. Incapazes de entender que podemos ser limitados e não dominar tudo. Tanto para o lado de quem possui um extremo medo de ferir o outro com suas palavras ou daquele que já foi tão ferido que a mera suposição de que alguém possa transformá-lo em uma escada, já é suficiente para que ele seja opressor e fira tanto quanto ele próprio, que já está ferido.

Neste cenário em que a perfeição é hipervalorizada e que nos expomos ao perfeccionismo diário e cruel, nos colocamos como críticos, céticos ou nos sentimos incapazes de assumir quando erramos de forma digna. Por vezes culpamos o outro por erros que são nossos, pelo fato de que nós não podemos errar. Nos colocamos também, na situação oposta de que ao cometer erros reafirmamos nossa incompetência, nossa incapacidade, nossa imperfeição.


O perfeccionismo é, de longe, uma das formas mais cruéis que existem de autoabuso. Porque ele não vem para que nós sejamos perfeitos, mas é a nossa medida de comparação do quão imperfeitos somos. Mas sabe o que é realmente o mais triste? É que somos incapazes também de receber elogios, de percebermos que temos qualidades e que podemos ser muito bons em uma coisa e muito ruins em outra. Que podemos ser doces e compreensivos em um dia e, num momento de raiva, de forma furiosa, sermos violentos com alguém sem nem sequer notar.

Quando se trata das nossas relações, a primeira coisa que você precisa abrir mão é de um controle total de toda a situação, deixar de planejar cada mínimo detalhe e começar a exercer as relações baseadas no perdão. Essa empatia vai exigir de você mais do que se colocar no lugar do outro, mas um exercício contínuo de aceitação. Aceitação primeiramente de quem você é, de quais são seus defeitos e qualidades. Como você vai agir com o perdão do outro por não ser perfeito, se você não conseguiu ainda perdoar a si mesmo? Como reconhecer a si mesmo em um espelho e lidar com essa versão imperfeita de si mesmo?

É necessário entender que, por mais que estejamos no mesmo lugar hoje, o meu lugar de partida é completamente diferente do seu. E que nós podemos ter visões de mundo completamente diferentes umas das outras. Aceitar que antes de alguém ter defeitos, você também tem, e mais do que você ser cheio de defeitos e vir de um lugar que foi deficitário com você em muitos pontos, você também é cheio de qualidades. Assim como a outra pessoa com quem você está conversando também. Ser capaz de internalizar que você faz muito bem uma coisa e muito mal a outra, nos torna interdependentes, maduros, loucos o bastante para ouvir, sabendo que quem fala pode estar errado, mas também pode estar certo. E se ele estiver certo, não é o fim do mundo e caso não esteja, nossas opiniões são válidas o bastante para ser, pelo menos, debatidas.

Se perdoe, se aceite, se ame, assim, você conseguirá enxergar o outro de uma maneira mais humana, sem colocá-lo em um pedestal ou estar neste pedestal. Não é fácil e é um exercício diário. Nossas experiências e recortes fazem de nós únicos e diversos e é necessário que isso esteja dentro de nós a cada vez que nos expusermos para uma conversa.


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Luciana Cristina Gomes

Psicóloga - CRP 18/06236

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