Mitos e verdades sobre TDI (Transtorno Dissociativo de Identidade)

Atualizado: 19 de fev.



O Transtorno Dissociativo de Identidade (TDI) é um transtorno que deixa as pessoas muito confusas, com dúvidas e que tem muitas falsas informações em torno dele. Muito provavelmente, isso vem por conta de sua representatividade na mídia, que perpetua estereótipos negativos e errôneos, aumentando ainda mais o preconceito em cima das pessoas que tem TDI e aumentando seu sofrimento psíquico.


Tendo isso em mente, o artigo atual irá explicar melhor sobre o que é TDI e desmistificar mitos comuns que se tem sobre esse transtorno. Então, primeiramente vamos explicar sobre o que é exatamente o TDI.


Como todos os transtornos, o TDI também é biopsicossocial, ou seja, não é apenas um fator que faz com que uma pessoa desenvolva TDI, e sim vários, como por exemplo:


• Pessoas com TDI tem maior suscetibilidade à hipnose e capacidade dissociativa (ex.: estar tão atento em uma coisa que parece que o seu redor não existe;

• Experiências, eventos e/ou abusos traumáticos ocorridos na infância;

• O trauma é tão devastador que se torna insuportável, fazendo com que a identidade e a consciência da criança seja fragmentada, dissociando-se do afeto negativo relacionado ao abuso grave;

• Carência de apoio social durante ou após a experiência traumática.


Além disso, a pessoa precisa apresentar as seguintes características para que seja possível obter um diagnóstico:


●Presença de dois ou mais estados de personalidades distintas. Sendo personalidades distintas podendo ser o conceito de uma descontinuidade acentuada no senso de si mesmo e do domínio das próprias ações, acompanhada por alterações relacionadas no afeto, comportamento, consciência, memória, percepção, cognição e/ou funcionamento sensório-motor; sentimento da pessoa ter se tornado subitamente observadores despersonalizados de suas “próprias” falas e ações, sentindo-se incapazes de reverter as situações; ou então ouvir vozes, ter emoções, impulsos ou até mesmo a fala ou outras ações emergirem de forma repentina, sem conseguir controlá-las;

●Amnésia, no sentido de não se lembrar de eventos cotidianos, informações pessoais importantes, chegar em lugares onde não se lembra, pessoas te chamando por nomes que não são o seu e/ou eventos traumáticos e de importância (próprio casamento, por exemplo).


Tendo isso em mente, é possível uma pessoa com TDI conseguir adotar mais de 100 identidades, todas coexistindo simultaneamente, embora o número médio seja 15. Em alguns casos, as identidades são completas, tendo seu próprio comportamento, tom de voz e gestos, porém em muitos casos, apenas algumas características são distintas, porque as identidades são parcialmente independentes. Inclusive, Alter é o termo usado para as diferentes identidades ou personalidades no TDI.


Sabendo o básico sobre TDI, agora vamos desmistificar mitos em torno do transtorno.


Mito: Pessoas com TDI são violentas.

∟ Verdade: Pessoas com TDI não são mais violentas do que outras pessoas. Na verdade, é muito rara a violência estar presente nas pessoas que têm TDI, elas são mais propensas a serem vítimas de outros do que a agir violentamente em relação a outros.


Mito: Pessoas com TDI tem um “gêmeo do mal“

∟ Verdade: Na verdade, a identidade/consciência da pessoa é fragmentada desde muito jovem, e com isso, é formado duas ou mais personalidades que habitam o mesmo corpo. Não é como se habitassem ou se tivesse dividido o conceito de bem e mal, e sim qualidades e defeitos da pessoa, como um mecanismo de defesa para que ela possa se proteger de um trauma muito pesado vivido quando criança, para que assim, pudesse sobreviver.


Mito: TDI não é real, seja porque as pessoas querem chamar atenção, ou porque terapeutas sugeriram o transtorno.

∟ Verdade: Ele é um transtorno real sim! Existem diferenças físicas documentadas entre as personalidades que são impossíveis de falsificar, como por exemplo, diferentes prescrições, alergias, visão, pessoa ora é destra, ora canhota; inclusive casos extremos em que uma personalidade tem uma doença física (como diabetes, por exemplo), enquanto as outras não. Em todos os transtornos psicológicos há casos de pessoas que fingem tê-los, e com o TDI não é diferente. Contudo, não é mais alto o número de pessoas que fingem em comparação com os outros transtornos, inclusive, não é um dos mais altos. Existem técnicas para poder distinguir os casos reais dos falsos.


Mito: TDI é um Transtorno de Personalidade

∟ Verdade: por conta de um dos antigos e pejorativos nomes para TDI, transtorno de múltipla personalidade e transtorno de dupla personalidade, as pessoas tendem a confundir, porém, são transtornos completamente diferentes. Enquanto Transtorno de Personalidade é um padrão persistente da experiência interna e comportamento que se desvia das expectativas da cultura e da pessoa, padrão esse que deve se manifestar na cognição, afetividade e/ou funcionamento interpessoal e controle de impulsos, o TDI está dentro do espectro dos Transtornos Dissociativos.


Mito: TDI é sinônimo de Esquizofrenia

∟ Verdade: Embora haja uma semelhança de sintomas entre TDI e esquizofrenia ou outros transtornos psicóticos, há algumas diferenças latentes. A começar pela amnésia que é a essência do TDI e não está presente na esquizofrenia. As explicações para possíveis alucinações e delírios de pessoas com TDI sempre tendem a ser mais personificadas ao invés de delirantes, como é o caso da Esquizofrenia.


Lembrem-se, se você se identificou com algum desses sintomas ou conhece alguém que tenha esses sintomas, procure ou indique um psicólogo e/ou profissional da saúde.


Marcella Barbosa Mannarelli

Psicóloga CRP: 06/170384

Contato: (18) 997248484

Instagram: @mah.psi

E-mail: psicoterapeutama@gmail.com

Link do perfil: marcella-barbosa-mannarelli

Informações: linktr.ee/psimah


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