top of page

Conto: O Refúgio da Solidão

  • Foto do escritor: Kaoane Wiezorkoski
    Kaoane Wiezorkoski
  • 15 de out. de 2024
  • 3 min de leitura

Em uma pequena cidade cercada por montanhas verdes e lagoas serenas, vivia uma jovem chamada Eliza. Desde a infância, ela foi cercada por risos, brincadeiras e amigos. No entanto, conforme crescia, Eliza começou a sentir que algo estava faltando. Em meio a tantos sorrisos, havia um vazio que a acompanhava, como uma sombra silenciosa que a seguia.




Apressada por compromissos sociais e o ritmo frenético da vida moderna, Eliza mal tinha tempo para si mesma. Um dia, exausta de agradar os outros e de esconder suas inseguranças mascando sorriso forçados, ela decidiu que precisava de uma pausa. Ao invés de ir à festa que todos a convidavam, Eliza fez uma escolha diferente. Com uma mochila leve e um coração hesitante, partiu para um refúgio na montanha que sempre a fascinou.




Após uma caminhada longa e cansativa, Eliza chegou a um pequeno chalé abandonado, cercado por árvores imensas e flores de todos os tipos. Ali, a solidão a envolveu como um cobertor quente. Inicialmente, sentiu um frio na barriga ao perceber que estava sozinha, longe de tudo e de todos. Mas, em vez de entrar em pânico, decidiu explorar aquele espaço cheio de natureza e mistérios vívidos.




Os dias passaram e Eliza encontrou conforto no silêncio, e sentiu um abraço caloroso com a plena satisfação de pertencer-se a si mesma. Acordava com o canto dos pássaros, preparava seu café enquanto o sol se erguia lentamente sobre as montanhas e passava as tardes caminhando pela floresta. Durante essas caminhadas, Eliza começou a se ouvir. As conversas internas, antes barulhentas e confusas, tornaram-se diálogos suaves. Cada passo a levava a descobrir partes de si que estavam esquecidas: a artista que sonhava em pintar, a escritora que aninhava histórias em seu coração e a amante da natureza que sempre quis ser.




Uma tarde, enquanto observava o pôr do sol refletido no lago, Eliza teve um momento de clareza. Ela percebeu que a solidão não era uma inimiga, mas uma aliada. Foi ali, naquele refúgio, que ela começou a compreender o poder do seu próprio ato de amor . Era hora de parar de buscar a aprovação dos outros e, em vez disso, encontrar alegria dentro de si. A vida que levava até então, repleta de obrigações sociais e pressões, não a definia mais, porque a partir desse refugio, Eliza conseguiu encontrar um espaço dentro de si que se tornou um espaço de plenitude pessoal, consigo entregar a si mesma, calor, companhia e felicidade.




Durante as semanas que se seguiram, Eliza começou a registrar suas experiências em um caderno. Cada página preenchida com pensamentos, desenhos e reflexões a conectava mais e mais consigo mesma. Com o passar do tempo, ela se sentiu mais forte, mais confiante. A solidão se transformou em uma fonte de inspiração, um espaço onde ela podia ser verdadeira e livre.




Quando chegou o momento de voltar para a cidade, Eliza se despediu do chalé e da montanha com gratidão. Agora, ela não via a solidão como um sinal de fraqueza, mas como uma ponte que a havia levado a um lugar de autodescoberta. Ao retornar, ela carregava consigo a luz que havia encontrado — uma luz que não dependia dos outros, mas que brilhava de dentro para fora.


De volta à vida cotidiana, Eliza fez algumas mudanças. Passou a reservar momentos para si mesma, cultivar suas paixões e se conectar com sua essência. E, assim, a solidão, antes temida, se tornou um refúgio onde ela poderia sempre retornar, sempre que o mundo se tornasse muito barulhento.


Com o coração leve e a mente clara, Eliza percebeu que a verdadeira felicidade não era encontrada na busca por aceitação externa, mas na coragem de ser fiel a si mesma, se tornando hoje a protagonista da sua própria história contada a você aqui neste momento, uma história onde a solidão não era um fardo, mas um caminho iluminado para a autodescoberta.

Posts Relacionados

Ver tudo

Comentários


bottom of page