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O Ano Muda, Mas Você Precisa Mudar? A Ilusão da Transformação Radical

  • Foto do escritor: Thayná Ribeiro
    Thayná Ribeiro
  • 3 de fev.
  • 3 min de leitura

Janeiro chegou ao fim e não conquistamos todas as metas de 2025. E agora? Você desiste? Tenta de novo em fevereiro? Ou em 2026 será diferente?

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O desejo por um novo começo: entre a esperança e a pressão social

O início de um novo ano sempre carrega uma promessa: a possibilidade de recomeçar. Existe algo profundamente humano nesse anseio por virar a página, deixar o passado para trás e construir uma nova história. Não à toa, diversas culturas celebram a passagem do tempo com rituais de renovação, seja através de cerimônias, promessas ou tradições simbólicas.
Mesmo quando nossas metas de 2008 não foram totalmente cumpridas (afinal, não somos os mesmo de 2008), na virada de 2024-2025, possivelmente, você (e eu) criamos novos objetivos, expressões do nosso desejo de crescimento e realizações pessoais.
Mas até que ponto essas metas estão alinhadas com nossas reais necessidades? E quando o desejo de evoluir se torna uma pressão constante para sermos diferentes do que somos?

O lado positivo e os desafios das resoluções

Traçar metas pode ser uma ferramenta poderosa para o autoconhecimento e a realização pessoal. O ato de definir intencionalmente novas direções nos ajuda a manter o foco no que realmente importa. Entretanto, há uma linha tênue entre buscar um bem-estar genuíno e cair na armadilha da melhoria incessante.
Não há nada de errado em cuidar de si, mas é importante questionar: você realmente precisa de uma rotina complexa e altamente estruturada? Ou foi levado à acreditar que precisa se transformar para ser aceito e feliz?

Estamos procurando a felicidade no lugar certo?

A pressão para ser uma versão "melhor" de si mesmo não se limita à saúde e produtividade. Ela se infiltra em todas as áreas da vida: o desejo de renovar o guarda-roupa, redecorar a casa, aprender algo novo, encontrar um novo propósito. Parece haver uma mensagem implícita de que, se não estamos mudando ativamente, estamos estagnados.
Mas a verdadeira questão é: estamos mesmo caminhando para um estado de maior satisfação ou apenas perseguindo uma imagem idealizada que nunca se concretiza?
O crescimento genuíno não vem de uma busca incessante por se tornar "outro", mas da capacidade de acolher quem já somos e integrar as mudanças de forma consciente e respeitosa com nossa essência.

Você não precisa ser um "novo você" para crescer

O início do ano pode, sim, ser um momento valioso para reflexão. Revisitar o que funcionou e o que pode ser deixado para trás é um processo natural e saudável. Mas isso não significa que você precise se reinventar por completo ou seguir todas as tendências do momento para se sentir bem consigo mesmo.
Talvez a chave não esteja em buscar incessantemente por um "novo eu", mas em construir uma relação mais gentil consigo mesmo. O crescimento real acontece quando aprendemos a nos amar e respeitar nosso próprio ritmo, em vez de tentar nos encaixar em padrões que nem sempre fazem sentido para nossa jornada.
Portanto, ao olhar para suas resoluções (ou a falta delas), lembre-se: você já é suficiente. O desejo por evoluir é natural, mas ele não precisa vir às custas da sua paz. Afinal, o que realmente transforma nossas vidas não são as mudanças radicais impostas de fora para dentro, mas as escolhas conscientes que fazemos para honrar quem somos em nossa totalidade.

Thayná Leticia Ribeiro | Psicóloga Clínica - CRP: 08/41366 Instagram: https://www.instagram.com/psi.thaynaribeiro/ Terappia: https://www.terappia.com.br/psi/thayn%C3%A1-leticia-ribeiro

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