Somos apenas mais um
- Mariana de Sousa Aguilar

- 31 de out. de 2024
- 2 min de leitura
Quantas vezes sofremos com a busca pelo reconhecimento do outro? Quantas vezes achamos que o que queremos ou quem somos só vai ser aceito se todos concordarem? A verdade é que de certa forma isso é natural e necessário, faz parte do nosso desenvolvimento.
Sigmund Freud, o pai da psicanalise em seu famoso texto Introdução ao Narcismo (1914), traz a conceitução de narcisismo primário, em que ele nos mostra que um bebê para ter a sua autoestima desenvolvida, torna-se "Sua Majestade o bebê", o centro das atenções daquela familia, dos pais, no sentido dos investimentos emocionais, cuidados fisicos, investimentos para o que é preciso materialmente. Isso traz uma ideia de importância, pertencimento. Mas, se tudo ocorre bem, aquele bebê em alguma medida será frustado, no sentido de que com as demandas da vida, nem sempre os pais poderão estar sempre com as atenções voltadas para ele, assim, ele se depara com um mundo para além dele, no senso comum poderíamos dizer que é a percepção de que "você não é o centro do mundo".
O que é importante, pois faz com que esse ser humano tenha um movimento em direção ao crescimento emocional e a separação dos pais, se coloca em contato com a alteridade. O dificil, é quando ao crescermos insistimos nessa ideia sofrida de que o outro precisa nos validar, nos reconhecer e pensamos que o nosso valor está atrelado apenas a isso.
Finalizo com algumas palvras do autor Claudio Castelo Filho, em seu capítulo no livro "Perto das trevas: a depressão em seis perspectivas psicanalíticas", de 2022, organizado por Alexandre Patricio de Almeida e Alfredo Naffah Neto:
"A rejeição de um adulto pode ser bastante penosa, mas, havendo respeito e amor-próprio, permite que um indivíduo possa "perder" seu grupo ou dele se afastar sem que pereça psiquicamente. Suportar essa solidão capacita uma pessoa a tolerar a espera e que haja tempo para a observação e encontro de outros que sejam capazes de amar" e ainda em outro trecho ele diz: "Muitos desejam se tornar extraordinários para, desse modo, contar com a admiração dos pais (internos e externos), como se assim pudessem ser amados e admirados - o que pode nunca ocorrer."




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