Todos temos narcisismo
- Mariana de Sousa Aguilar

- 25 de fev.
- 2 min de leitura
Você já deve ter ouvido ou então falado "fulano é narcisista". Aparentemente esse termo tem sido banalizado atualmente para se referir a alguém que se coloca a frente das outras pessoas, uma pessoa egoísta, que só pensa em si.
É verdade que existem pessoas com as quais não conseguimos estabelecer um diálogo. São pessoas resistentes em uma relação, que enxergam apenas o seu ponto de vista como certo. Mas, embora o termo "narcisismo" esteja sendo utilizado de forma defasada, para a psicanálise é um conceito muito caro.
Isso porque no ano de 1914, Sigmund Freud, criador da psicanálise, escreveu um texto chamado Introdução ao Narcisismo, em que nos esclarece como o narcisismo é a base de nossa autoestima. Ao nascermos, somos investidos pelo afeto de nossos cuidadores, somos o centro da atenção de nossa família, ou como Freud diz no texto somos "Sua Majestade, o bebê", e de fato acreditamos nisso, que criamos o ambiente em que estamos inseridos e as pessoas que cuidam de nós, e isso é importante para aquele momento, afinal se não recebermos todo esse investimento não sobreviveríamos.
Porém, a medida que vamos nos desenvolvendo vamos percebendo que não somos tudo isso, quero dizer, nos damos conta que existem outras pessoas para além de nós, que as coisas não acontecem na hora que queremos, que os nossos cuidadores tem outros interesses na vida. Assim, passamos a deixar de investir apenas em nós mesmos e investimos em outros interesses do mundo externo, de alguma maneira vamos "furando" o nosso narcisismo primário e abrindo espaço para outras coisas.
Infelizmente, muitas vezes ao crescermos ainda temos uma forte idealização pela nossa imagem, no sentido de achar que o outro depende e precisa de nós para ser feliz, que não podemos fazer escolhas sem desagradar os outros. São em situações assim que o nosso narcisismo aparece.
As vezes, precisamos de um bom tempo no processo psicoterapêutico para nos conciliarmos com as exigências que temos com nós mesmos e esvaziar um pouco a nossa imagem idealizada, vivendo apenas com o narcisismo que é saudável, ou seja, a nossa autoestima.


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