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A angústia de não saber quem eu sou e o vazio de existir

O que é anomia?

2 de out. de 2025

Geovanna Moreira Bastos

Autoconhecimento
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A anomia pode ser entendida, de maneira simples, como a ausência ou a fragilidade das normas que organizam a vida em sociedade. Quando essas normas se tornam confusas ou deixam de ter força, os indivíduos ficam sem referências claras sobre como agir ou sobre o que esperar dos outros. Isso gera uma sensação de desorientação, insegurança e até de ansiedade, porque a pessoa não sabe exatamente a quais regras se prender ou em quais valores apoiar sua identidade. Assim, vem a sensação de ansiedade, insegurança e até de “não pertencer a lugar nenhum”.

 

Esse fenômeno é considerado um problema crônico nas sociedades modernas, principalmente porque vivemos em um mundo de mudanças muito rápidas. Transformações econômicas, políticas, culturais e tecnológicas acontecem de forma intensa, e muitas vezes as antigas regras não conseguem acompanhar o ritmo dessas mudanças. O resultado é um cenário de desajuste social, em que as pessoas podem se sentir perdidas ou desconectadas do grupo ao qual pertencem.

 

Quando não existe uma consciência coletiva forte — ou seja, um conjunto de valores, crenças e normas compartilhadas pela maioria — o sentimento de pertencimento se enfraquece. Isso pode levar a comportamentos de isolamento, conflitos e rebeldia. Há algo de errado em questionar os valores vigentes de uma sociedade e se rebelar contra eles? Não, a anomia é um sintoma social e é importante olhar para esse sentimento justamente para entender aquilo que se almeja socialmente. A questão é o que fazer com o sentimento de angústia, de vazio e de falta de pertencimento gerado pela anomia.

 

Para enfrentar esse quadro, entram em cena diferentes instituições e formas de organização humana. A religião, por exemplo, pode oferecer um conjunto de valores e símbolos que orientam o indivíduo e fortalecem sua ligação com o grupo. As filosofias, os estilos de vida e até movimentos sociais também desempenham esse papel, ajudando a construir uma base de identidade coletiva. Todas essas formas de organização têm o objetivo de reduzir a anomia, oferecendo referências, valores e normas que servem de guia para a vida em comunidade.

 

Quando as normas sociais perdem a força, cresce a sensação de incerteza, mas quando instituições e grupos conseguem oferecer sentido e pertencimento, a convivência se torna mais estável e menos angustiante. O sujeito pode sentir-se perdido, sem referências sólidas para sustentar sua identidade e suas escolhas. Essa desorientação muitas vezes vem acompanhada de ansiedade, vazio existencial e dificuldades nos relacionamentos. É nesse ponto que a psicoterapia se mostra fundamental. O processo terapêutico oferece um espaço seguro para que a pessoa compreenda melhor seus sentimentos, encontre sentido em meio às mudanças e construa recursos internos para lidar com a instabilidade social. Se, por um lado, instituições e grupos oferecem referências externas, por outro, a psicoterapia fortalece o indivíduo por dentro, ajudando-o a se posicionar de forma mais autêntica diante do mundo. Assim, em tempos de anomia, cuidar da saúde mental torna-se um caminho essencial para recuperar equilíbrio, pertencimento e propósito.

 

 

 

 

Geovanna Moreira Bastos | Psicóloga e psicanalista - CRP 01/30116

Meu perfil no Terappia: www.terappia.com.br/psi/Geovanna-Moreira-Bastos

 

 

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