
O burnout costuma ser compreendido como consequência direta do excesso de trabalho. Embora essa leitura não esteja errada, ela é insuficiente. Quando observamos mais atentamente quem está adoecendo e como esse sofrimento se manifesta, percebemos que o esgotamento não se distribui igualmente.
Vivemos em uma sociedade marcada pela produtividade, pela aceleração e pela exigência constante de desempenho. O filósofo Byung-Chul Han descreve esse cenário como uma sociedade do desempenho, na qual o sujeito passa a explorar a si mesmo em nome da produtividade contínua. Maria Rita Kehl, por sua vez, aponta como esse modo de vida produz sofrimento psíquico e transforma a exaustão em um sintoma social da contemporaneidade. O descanso passa a ser visto como improdutividade, enquanto o fracasso é frequentemente interpretado como responsabilidade individual. Nesse contexto, o sujeito contemporâneo é convocado a funcionar o tempo todo.
No entanto, essa lógica não incide sobre sujeitos neutros. Mulheres historicamente ocupam o lugar do cuidado, da manutenção da vida e da gestão emocional das relações. A teórica Heleieth Saffioti demonstra que essa desigualdade não é apenas cultural, mas estrutural, sustentada pela articulação entre patriarcado e capitalismo. Silvia Federici também evidencia como o trabalho reprodutivo e de cuidado, realizado majoritariamente por mulheres, permanece invisível e desvalorizado, apesar de ser fundamental para a manutenção da vida social. Mesmo após sua inserção massiva no mercado de trabalho, essas responsabilidades não desapareceram. Elas apenas se acumularam.
A sobrecarga feminina não está apenas na quantidade de tarefas executadas, mas também no trabalho invisível que sustenta o cotidiano: lembrar, organizar, antecipar, acolher, evitar conflitos e manter vínculos funcionando. Trata-se de um trabalho emocional frequentemente naturalizado e pouco reconhecido.
Na clínica, isso aparece como culpa, perfeccionismo e sensação constante de insuficiência. Enquanto isso, Rosalind Gill contribui para compreender como a autoexigência contemporânea é internalizada, fazendo com que mulheres se tornem constantemente vigilantes de si mesmas. Joan Rivière já apontava, na psicanálise, como a feminilidade pode operar como uma performance marcada pela necessidade de adaptação e validação. Muitas mulheres relatam exaustão acompanhada da impressão de que ainda deveriam conseguir fazer mais. O sofrimento não surge apenas do excesso de demandas, mas também da impossibilidade subjetiva de se autorizar a parar.
Além disso, relações afetivas podem se tornar mais um espaço de desgaste. A bell hooks discute como mulheres são frequentemente socializadas para sustentar emocionalmente os vínculos, assumindo o trabalho emocional das relações. Ademais, precisamos ampliar essa discussão ao problematizar a responsabilização histórica das mulheres pelo cuidado e pela manutenção da vida afetiva e familiar. Mulheres frequentemente assumem a função de sustentação emocional dos vínculos, tornando-se responsáveis pela escuta, mediação de conflitos e manutenção da estabilidade relacional.
Nesse cenário, o burnout não pode ser reduzido a um problema individual ou a uma falha de adaptação. Ele também expressa os limites de uma organização social que distribui de forma desigual o trabalho, o cuidado e a responsabilidade emocional.
Talvez seja justamente isso que o burnout revela: não apenas corpos cansados, mas formas de vida que se tornaram insustentáveis.
Você se identificou com esses sentimentos de culpa, cansaço e sobrecarga? Bom, você não está sozinha, venha falar sobre isso e reescrever uma vida possível e com sentido para VOCÊ!
Abraço,
Milena Schmitt Moura,
Psicologa clínica e social | CRP 07/41927
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Quem sou eu?

Ana Patricia Ferreira de Melo
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Sou Ana Patrícia, psicóloga, e acredito que cada pessoa precisa ser acolhida de forma única, respeitando sua história, suas necessidades e seu momento de vida. Minha atuação é pautada na escuta qualificada, no acolhimento e na ética profissional, buscando construir com cada cliente um espaço seguro, onde ele possa se sentir ouvido e compreendido.
Através da Terapia Cognitivo-Comportamental, trabalho auxiliando o cliente a compreender a relação entre seus pensamentos, emoções e comportamentos, desenvolvendo estratégias que possam contribuir para uma rotina mais saudável e para o enfrentamento de suas dificuldades. Também possuo experiência com intervenção ABA, o que ampliou minha capacidade de observar comportamentos, estabelecer objetivos e acompanhar a evolução de cada pessoa de maneira individualizada.
Meu objetivo é oferecer um atendimento humanizado, responsável e personalizado, contribuindo para que cada cliente se sinta respeitado, acolhido e capaz de desenvolver novos recursos para lidar com seus desafios
Valor da Sessão / Tempo de duração
R$ 40,00
/
40 minutos
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