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Amor é o suficiente para permanecer em uma relação?

25 de mai. de 2026

Ana Carolina Faria Oliveira

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Mulher

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Há relações que amamos por sua história: A nostalgia das borboletas no estômago, as primeiras vezes que partilhamos, o cuidado e atenção especial que parecia haver ali. Entretanto, com o passar do tempo e com o viver da rotina, parece que o que observamos no presente já não é mais condizente com o romance que vivemos no passado.

 

Há dias bons, mas também há dias em que algo pesa e que nos revelam dúvida. As vezes, o silêncio como modo de se esquivar de uma pergunta, a falta de atenção aos detalhes, palavras que machucam sem que a outra pessoa pareça perceber. E você vai guardando isso. Questiona-se se o que sentiu é válido ou se foi algum exagero.

 

Será que eu esperava demais? Exigi muito? Será que estou sendo difícil? O problema sou eu?

 

E com o tempo, essa dúvida vai ficando mais familiar do que a certeza. Você começa a confiar mais no que a outra pessoa sente do que no que você mesma sentiu. O que você sente parece não importar tanto e, com o tempo, você vai se distanciando dos seus limites, da sua identidade, dos seus gostos e de quem você é.

 

Você já parou pra pensar no que te mantém numa relação? Não a resposta automática. A resposta de verdade.

 

Há relações em que o amor existe, e ainda assim algo vai se perdendo. Não de uma vez. Aos poucos, sem perceber, você vai deixando de ocupar espaço: Vai cedendo aqui, engolindo ali, ajustando o que sente para não gerar conflito.

 

E um dia você olha pra dentro e percebe que não sabe bem mais onde você começa e onde a relação termina. Você ainda consegue se reconhecer nessa relação? Ainda faz as coisas que gosta? Ainda fala o que pensa?

 

Amor é real e também, importante. Mas ao mesmo tempo, amor sozinho não diz tudo sobre uma relação.

 

O amor que muitas de nós aprendemos a sentir nos foi ensinado social e culturalmente. Aprendemos que amar é ceder, é aguentar, é colocar a outra pessoa antes de nós mesmas e que uma boa relação é aquela que a gente sustenta e que se dói, é porque realmente importa.

 

Mas será que dor é medida de amor?

 

Passamos anos ajustando, omitindo o que sentimos para evitar uma briga, uma discussão. E o silêncio que a gente engole não desaparece. Ele vira dúvida, torna-se ansiedade. Transforma-se a sensação de que a culpada é você.

 

Não é fraqueza. Não é exagero. É o que acontece quando aprendemos, ao longo da vida, que o nosso valor dentro de uma relação depende do quanto conseguimos nos adaptar a ela.

 

Quando você pensa na relação que você tem hoje, o que você sente além do amor? Você se sente vista? Você se sente inteira? Você é respeitada? Ainda reconhece o que quer?

 

Ao estar em uma relação, o que você precisa, além de amar?

 

Ana Carolina | Psicóloga CRP 04/84913

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