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Ansiedade: muito além de um diagnóstico

3 de fev. de 2026

Ana Luisa Papalardo Azevedo

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Saúde mental

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Na sociedade atual, falar de ansiedade é praticamente inevitável: com ritmos de vida acelerados, múltiplas demandas e incertezas cotidianas, muitas pessoas relatam experiências de medo difuso, preocupação intensa ou inquietação constante. Porém, será que “ansiedade” e “angústia” significam exatamente a mesma coisa? E de que forma entendemos esses estados na clínica psicológica e psicanalítica?

 

Uma das formas mais comuns de compreender os transtornos de ansiedade hoje é por meio de sistemas diagnósticos padronizados como o DSM-5. Esses manuais classificam e rotulam sintomas para que profissionais da saúde mental possam identificar e tratar quadros como transtorno de pânico, fobias e ansiedade generalizada. Essa abordagem, muitas vezes chamada de psicopatologia geral, busca organizar o sofrimento psíquico com base em critérios taxonômicos, focando em sinais e sintomas observáveis.

 

No entanto, quando examinamos essas experiências pela lente da psicanálise, a ênfase muda. Em vez de priorizar categorias fixas de diagnóstico, esse olhar tenta compreender o sentido subjetivo do sofrimento, ou seja, o que esses estados emocionais significam para a própria pessoa, considerando sua história, linguagem, relações e modos de simbolizar o mundo.

 

Na visão psicanalítica, ansiedade e angústia não são apenas nomes para um conjunto de sintomas; são experiências ligadas à forma como o sujeito se relaciona com o desejo, com o outro e com as possibilidades de existência. Freud já destacava que a angústia possui uma dimensão que vai além de simples medo de algo específico, ela é um afeto sem objeto claramente definido, interligada à própria condição humana de lidar com o inesperado e o desconhecido. Já Lacan complementa esse olhar ao afirmar que a angústia está profundamente conectada à presença do objeto que causa desejo e à forma como nos enlaçamos nas relações com os outros.

 

Ao pensarmos o sofrimento psíquico da perspectiva clínica contemporânea, especialmente após períodos de crise como a pandemia, percebemos que muitas pessoas experienciam ansiedade e angústia de formas que não se limitam a listas de sintomas ou padrões comportamentais. Existe um aspecto de narrativa, de sentido, que não é capturado apenas por manuais diagnósticos, e é aí que a escuta psicanalítica pode oferecer caminhos ricos para ajudar aqueles que sofrem.

 

Referência: https://periodicos.pucminas.br/pretextos/article/view/32611/23721

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