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Como olhar para dentro transforma nossa forma de viver

29 de set. de 2025

Psicóloga Andreza Fonseca Lima -CRP 11/23449

Autoconhecimento
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Vivemos em uma sociedade que nos empurra para fora de nós mesmos. Somos incentivados a correr atrás de metas, a mostrar resultados, a corresponder expectativas. Desde cedo aprendemos a medir nosso valor pelo que fazemos, conquistamos ou mostramos. Nesse fluxo, o silêncio interno vai sendo abafado, e o simples ato de se perguntar “quem sou eu, de verdade?” se torna quase um luxo.

Mas há um momento em que a pressa começa a cansar. Em que a alma, sufocada de tantas obrigações, pede por um respiro. É nesse instante que o convite para olhar para dentro se apresenta — não como fuga do mundo, mas como reencontro consigo.

Olhar para dentro não é fácil. Muitas vezes, exige coragem para encarar feridas que evitamos por anos, para dar nome a sentimentos que preferimos negar, para admitir vulnerabilidades que escondemos até de nós mesmos. É um exercício de honestidade radical. Um mergulho que pode assustar, mas que também nos devolve a inteireza que tantas vezes esquecemos.

Na terapia, esse processo encontra espaço. O consultório se torna um abrigo onde é possível se despir das máscaras e, pouco a pouco, dar voz às partes silenciadas. Descobrimos que nossa raiva também fala de limites, que nossa tristeza revela saudades e necessidades, que até o medo, quando escutado, pode se transformar em bússola. Tudo dentro de nós tem algo a dizer.

E, à medida que aprendemos a nos escutar, algo mágico acontece: o mundo externo também muda. As relações ficam mais autênticas, pois já não precisamos representar papéis para sermos aceitos. As escolhas se tornam mais conscientes, pois nascem de dentro, e não da pressão de fora. Até os obstáculos parecem diferentes, porque já não os enfrentamos apenas com resistência, mas com compreensão sobre o que eles nos ensinam.

Olhar para dentro é, portanto, um ato de liberdade. É recuperar a autoria da própria história, é deixar de viver no piloto automático e assumir a direção da própria vida. Transformar-se de dentro para fora não significa viver sem dificuldades, mas atravessá-las com mais presença, clareza e compaixão.

No fim, é isso que nos lembra: não existe vida plena sem encontro consigo mesmo. A mudança verdadeira começa quando temos coragem de habitar nossa própria essência. E, uma vez que tocamos esse lugar interno, já não conseguimos mais viver da mesma forma — porque o caminho de fora nunca mais será o mesmo.

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