
Quando li essa frase no livro Descolonizando Afetos, da psicóloga Geni Nunes, ela convoca diversas reflexões. Controle sobre o outro, sobre o corpo, sobre sua liberdade e, de forma ainda mais sutil, sobre o seu desejo.
Em Descolonizando Afetos, Geni propõe um olhar profundo sobre o processo de colonização, a afetividade, o catolicismo e suas heranças, evidenciando que essas dinâmicas não surgem de forma isolada, mas como construções históricas. A colonização também deixou marcas nas formas de se relacionar e amar, instaurando lógicas de posse, dominação e controle que seguem sendo reproduzidas, muitas vezes de forma consciente e inconsciente.
Quando o desejo do outro passa a ser algo a ser controlado, surge uma lógica de dominação, que envolve a perda de liberdade, de autenticidade e da possibilidade de relações mais éticas e genuínas.
Refletir sobre isso também é questionar os modelos de relações que vêm sendo naturalizados, como: o que, de fato, é cuidado e o que se aproxima de controle? Por que olhamos as pessoas como posse ou objetos? Como isso atravessa gêneros, raças, sexualidades e classes?
Pensar o desejo como algo que não pertence ao outro, mas que se constrói na liberdade, talvez seja um dos caminhos para romper com essas heranças e abrir espaço para relações mais artesanais.
Tenho o imenso privilégio de ter conhecido sua obra desde o início da faculdade @genipapos é uma das maiores referências de psicóloga, mulher e indígena que o Brasil tem. Sou profundamente grata por sua existência e contribuição. 🙏✨





