
No Dia do Orgulho LGBTQIAPN+, penso no quanto essa data também fala sobre saúde mental.
Como psicóloga e psicanalista, acompanho pessoas LGBTQIAPN+ que carregam uma dor silenciosa: a sensação de precisar provar o próprio valor o tempo todo.
Ser o melhor profissional, o melhor filho, o melhor parceiro, ter o corpo perfeito, a aparência ideal, estar sempre impecável… como se fosse necessário compensar quem se é para merecer respeito e pertencimento.
Para Winnicott, isso tem um nome o conceito de falso self: uma versão de nós mesmos construída para sobreviver em ambientes que não acolhem nossa autenticidade. Muitas pessoas LGBTQIAPN+ aprendem, desde cedo, a esconder partes de si para evitar rejeição, criam uma espécie de armadura para se proteger, mas ela também aprisiona.
Meu trabalho com os meus pacientes é criar um lugar onde não seja preciso viver tentando provar alguma coisa. O orgulho, para mim, também é isto: o direito de existir sem pedir desculpas, sem carregar o peso de precisar estar sobre uma grande performance para justificar a própria existência, e com a liberdade de ser quem se é.





