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Engolir, seguir e adoecer

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28 de abr. de 2026

Thaina Lima Pinheiro Teixeira

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Mulher

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Existe uma frase que eu ouço com uma frequência que já não me surpreende, mas que ainda me toca: "Eu não sabia que estava tão mal."

Não é descuido. Não é falta de inteligência. É algo muito mais profundo e muito mais antigo.

 

A maioria das mulheres aprende desde cedo que sentir demais é um problema. Que chorar na hora errada é fraqueza. Que reclamar é ingratidão. Que o cansaço precisa ser justificado para ser válido. E que, no geral, a vida continua independente do que você está sentindo por dentro, então é melhor guardar, engolir e seguir.

Esse aprendizado não costuma vir em forma de discurso. Ele vem no olhar de quem muda de assunto quando o clima fica pesado. Na mãe que nunca parou. Na avó que criou cinco filhos sem reclamar. No elogio que a menina recebeu quando foi "forte" e no silêncio constrangido quando ela chorou.

É uma herança. E heranças, a gente carrega sem perceber.

 

O problema é que quando uma mulher aprende a não sentir ou melhor, a não mostrar que sente, ela não deixa de sentir. Ela aprende a dissociar. A continuar funcionando enquanto algo lá dentro vai se acumulando. E o corpo, que é sábio e insistente, começa a falar o que a mente aprendeu a calar: uma dor que não passa, um cansaço que o sono não resolve, uma ansiedade que aparece do nada, uma tristeza sem nome.

 

Adoecer não é drama. É o resultado previsível de uma vida inteira aprendendo que o seu interior não é prioridade.

A boa notícia, e eu acredito genuinamente nisso, é que esse padrão pode ser reconhecido. E o que pode ser reconhecido, pode ser transformado. Não de uma hora para outra, não sem dor, mas pode.

Esse é, em grande parte, o trabalho que faço com as mulheres que chegam até mim. Não de consertar o que está quebrado, mas de criar um espaço onde o que ficou guardado por tanto tempo finalmente encontra lugar para existir.

 

Se alguma parte desse texto te tocou, talvez não seja coincidência.

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