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Há um vocabulário reservado à mulher que se nega a abraçar o papel que um homem espera dela.

28 de fev. de 2026

Beatriz de Castro Lira

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Mulher

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Esse vocabulário costuma aparecer quando você estabelece limites.
Quando diz até onde alguém pode ir — e até onde não pode.
Surge quando você escolhe não ter filhos.
Quando decide ir embora.
Quando não abre mão do próprio trabalho.
Quando não aceita ser agredida — nem física nem verbalmente.
Quando se recusa a engolir humilhações.
Quando diz “não”.
Quando fala.
Quando denuncia.
Quando se recusa ao silêncio.

Há também palavras destinadas à mulher que levanta outras mulheres.
Àquela que se posiciona.
Àquela que deseja, simplesmente, continuar viva.

Sempre que uma mulher se afasta da expectativa masculina, os rótulos costumam surgir com rapidez: “egoísta”, “rancorosa”, “mal-amada” — e tantos outros.

Essas palavras funcionam como uma tentativa de disciplinar comportamentos, de empurrar de volta para o lugar esperado.

E, no fim das contas, os rótulos vêm. Eles sempre vêm.

Mas existe algo pior do que ser chamada de “egoísta” ou “rancorosa”: abrir mão da própria segurança para não desagradar, abrir mão da própria autonomia para caber na expectativa de alguém; permanecer onde não é seguro para fugir da fama de “difícil”.

Que, apesar dos rótulos impostos pela linguagem a toda mulher que ousa se impor, você possa traçar seus limites e priorizar a autopreservação.

Se preciso for, que sejamos tudo aquilo que tentam usar contra nós — menos a próxima vítima.

 

Por Beatriz Lira

Psicóloga de mulheres

CRP 18/8244

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