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Imigrar é também se reconstruir por dentro

Entre o que se deixa e o que se leva: o imigrante e o trabalho psíquico de recomeçar

15 de out. de 2025

Livia Vicente Candido

Psicoterapia
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Imigrar é mais do que mudar de país é também mudar de lugar dentro de si.
Quando alguém deixa sua terra, não leva apenas malas; leva histórias, cheiros, vozes, línguas, afetos. E deixa, muitas vezes, partes de si espalhadas por onde viveu.

 

A experiência de imigração costuma vir acompanhada de uma sensação de desenraizamento. O que antes era familiar: o idioma, os gestos, o modo de se relacionar de repente se torna estranho. E o que é novo, por mais desejado que seja, ainda não é familiar o suficiente para oferecer abrigo.
Nesse entre-lugar, o sujeito se vê diante da tarefa de reconstruir algo de si mesmo em um território estrangeiro.

 

Na psicanálise, sabemos que a identidade não é algo fixo, mas algo que se tece continuamente nas relações, na linguagem e nas experiências. Por isso, o processo de imigração exige um trabalho psíquico intenso: é preciso elaborar as perdas, lidar com o desconhecido e abrir espaço para o novo sem apagar o que ficou para trás.

 

A terapia pode ser um espaço de acolhimento desse deslocamento, onde o imigrante encontra a possibilidade de falar sobre o que não cabe nas malas: a saudade, o medo, a culpa, o estranhamento.
Falar é uma forma de se reinscrever, de habitar novamente a própria história, mesmo estando longe do lugar de origem.

Cada sessão pode ser um gesto de reconstrução, uma tentativa de fazer do estrangeiro um pouco mais familiar e do familiar, algo que possa se transformar.

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