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Lugar Social da Loucura

4 de dez. de 2025

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Saúde mental

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A maneira como percebemos a loucura sempre refletiu o momento histórico e cultural em que vivemos. Em alguns períodos, pessoas consideradas “loucas” circulavam pelas cidades, apareciam nas artes e conviviam socialmente — ainda que marcadas pela diferença. Em outros momentos, especialmente após o avanço do pensamento racional e científico no pós-Iluminismo, essas mesmas pessoas passaram a ser vistas como perigosas, inadequadas ou incapazes. Assim, a sociedade foi produzindo esse não lugar social para a loucura, lugar de afastamento, controle e silêncio.

 

Esse não surgiu por acaso. Ele foi construído por discursos, práticas e instituições que separaram quem “pode” habitar a vida social de quem deve ser afastado dela. Nos manicômios e hospitais psiquiátricos, essa exclusão se materializou em violências, negligências e tratamentos que pouco cuidavam e muito controlavam. A perda de vínculos, o apagamento da singularidade e a ruptura com o território tornaram-se parte desse destino imposto à loucura.

 

A Reforma Psiquiátrica brasileira e a luta antimanicomial surgem justamente para questionar e transformar esse lugar social. Em vez de isolamento, defendem o cuidado em liberdade, reconhecendo a loucura como uma experiência humana possível — que merece acolhimento, proteção e cidadania. Os CAPS e os serviços substitutivos trabalham para reconstruir vínculos, fortalecer a vida cotidiana e garantir que essas pessoas possam ocupar a cidade, circular, conviver, existir.

O desafio é coletivo: mudar o lugar social da loucura significa mudar a forma como nos relacionamos com a diferença, com o sofrimento psíquico e com o outro. É afirmar que ninguém deve ser excluído do direito de viver entre pessoas, com cuidado, dignidade e liberdade.

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