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O desejo silencioso de ser amado

25 de set. de 2025

Psicóloga Andreza Fonseca Lima -CRP 11/23449

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Desde que chegamos ao mundo, carregamos um desejo silencioso: o de ser amados. Freud nos lembra que o ser humano nasce em estado de desamparo, totalmente dependente do outro para sobreviver. Não é apenas o alimento que sustenta o bebê, mas também o olhar, o cuidado e o afeto que o envolvem. O amor, portanto, não é um luxo, mas uma necessidade vital que dá forma à vida psíquica.

 

Para Freud, o desejo de ser amado é tão essencial quanto o de amar. É no vínculo com os pais, especialmente na relação inicial com a mãe, que a criança encontra os primeiros sinais de reconhecimento. Nesse espaço, ela aprende que ocupar o lugar de objeto de amor do outro é também uma forma de afirmar sua própria existência.

 

O amor se torna, então, um motor da vida psíquica. Ao longo da existência, repetimos esse movimento: buscamos nos laços afetivos algo que nos confirme, que nos diga que temos valor e lugar no desejo do outro. E, ao mesmo tempo, carregamos a marca de que esse amor nunca será completo ou absoluto, pois o ser humano vive em permanente falta — e é justamente essa falta que nos impulsiona a desejar.

 

Na clínica psicanalítica, esse desejo de ser amado aparece de muitas formas: na carência, na idealização do outro, no medo do abandono ou até na angústia de não ser reconhecido. O trabalho analítico não está em suprir esse vazio, mas em ajudar o sujeito a compreender como se coloca diante dessa necessidade e como pode encontrar outras formas de viver seus vínculos e seu desejo.

 

Freud nos mostra, assim, que querer ser amado não é um sinal de fragilidade, mas uma condição universal da vida psíquica. É nesse espaço, entre o desamparo e a busca por reconhecimento, que a nossa humanidade se revela.

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