top of page

O silêncio que protege: a potência de dizer não

18 de set. de 2025

Psicóloga Andreza Fonseca Lima -CRP 11/23449

Autoconhecimento
Terappia Logo

Há momentos em que o corpo fala antes mesmo das palavras. Uma exaustão que pesa nos ombros, um aperto no peito, um pensamento que insiste em nos lembrar: aqui já não é lugar de permanecer. É nesses instantes que surge a urgência de um “não” — não como rejeição, mas como ato de cuidado.

 

Na psicanálise, aprendemos que o sujeito se constitui na relação com o outro, mas não pode se perder nela. Dizer “não” é afirmar a diferença, é marcar o contorno do eu diante de um mundo que constantemente nos convida a ultrapassar os próprios limites. Cada vez que negamos o que nos adoece, abrimos espaço para aquilo que nos sustenta.

 

O “não” é, muitas vezes, temido. Ele desperta a culpa, o medo de decepcionar, a angústia de não ser aceito. Mas justamente nesse desconforto está o seu valor: negar é romper com a fantasia de que precisamos sempre corresponder ao desejo do outro para merecer existir. O “não” devolve ao sujeito a possibilidade de respirar dentro de sua própria verdade.

 

Os limites não são muros que nos isolam; são fronteiras que permitem que a vida dentro de nós continue a florescer. São como margens de um rio: é porque existem que a água encontra caminho e pode seguir em movimento. Assim também acontece conosco: sem limites, nos dispersamos; com eles, nos tornamos inteiros.

 

Saber dizer “não” é, então, um gesto de amor — amor a si mesmo, à própria história, ao desejo que pede reconhecimento. Quando ousamos recusar o que nos fere, escolhemos viver de forma mais autêntica. E nesse espaço que o “não” abre, nasce a possibilidade de um “sim” mais verdadeiro, aquele que não se dobra por obrigação, mas se entrega por escolha.

Últimas publicações desse Terappeuta

bottom of page