
Por que existem dores que parecem nunca cicatrizar definitivamente?
"Nem toda ferida permanece aberta porque é fraca. Algumas continuam doendo porque ainda carregam um significado que precisa ser compreendido."
29 de jul. de 2026
Flavio Theodoro Polowec Garcia
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Existe uma frase que muitas pessoas conhecem: “o tempo cura tudo". É bem provável que você já a tenha ouvido ou até mesmo dito para alguém que estava passando por um momento difícil. No entanto, a vida não é sempre tão simples.
Há pessoas que, mesmo depois de muitos anos, ainda sentem uma dor no peito quando ouvem uma certa música. Outras revivem emoções fortes ao passar por um lugar específico, reencontrar alguém ou enfrentar uma situação parecida com a que as marcou no passado. Isso pode fazer você se perguntar: se tanto tempo passou, por que ainda dói?
A resposta não é fácil, mas a psicologia nos ajuda a entender melhor essas dores. A dor emocional não é igual a uma ferida física. Quando nos machucamos, o corpo segue um processo de cura previsível. O organismo trabalha para reparar o tecido danificado e, com o tempo, a ferida tende a fechar.
Já as experiências emocionais são diferentes. Uma perda, uma rejeição, uma infância difícil, um ambiente onde não se podia expressar sentimentos ou uma relação em que faltou carinho não deixam marcas visíveis. No entanto, essas experiências podem continuar presentes por muito tempo.
Isso acontece porque a dor emocional não depende apenas do que aconteceu, mas também do significado que a pessoa deu a esse acontecimento. Cada história é única, e o que para uma pessoa foi apenas um episódio difícil, para outra pode ter sido abandono, desamparo, vergonha ou a sensação de não ser suficiente.
Às vezes, não é o passado que permanece conosco, mas o significado que nunca foi compreendido. Quando a mesma dor parece voltar, é como se estivéssemos vivendo a mesma história de novo. Mudam os relacionamentos, mas o medo de ser abandonado continua. Mudam os empregos, mas a sensação de nunca ser bom o suficiente permanece.
Essas repetições não significam que há um destino imutável ou que alguém esteja condenado a sofrer. Pode ser que determinados conflitos ainda não tenham sido suficientemente entendidos. Carl Gustav Jung disse que aquilo que permanece inconsciente tende a guiar nossa vida sem que percebamos.
Por isso, algumas dores não desaparecem apenas com o passar do tempo. Elas retornam porque ainda carregam algo importante que precisa ser compreendido. A verdadeira cicatrização não é esquecer, mas encontrar uma nova maneira de viver com a dor.
Uma cicatriz continua existindo, mas deixa de dominar a vida. Com as feridas emocionais acontece o mesmo. Uma experiência significativa pode continuar sendo lembrada, mas deixa de definir quem somos. Ela se torna apenas um capítulo da nossa história.
A diferença está na relação que construímos com essa história. A psicoterapia oferece um espaço seguro para que essas experiências possam ser compreendidas, nomeadas e integradas à história de vida da pessoa.
Muitas vezes, o que continua machucando não é apenas o que aconteceu, mas o silêncio que veio depois, as perguntas que ficaram sem resposta, os sentimentos que precisaram ser escondidos ou a ausência de alguém que pudesse escutar o sofrimento.
Na psicoterapia, é possível olhar para essas experiências de outra forma. Não para justificar o sofrimento, mas para entender seus significados e construir novas possibilidades de viver o presente.
Vivemos em uma sociedade que valoriza a rapidez. Espera-se que as pessoas “sigam em frente” ou “superem logo". Mas nem toda dor desaparece porque foi ignorada. Algumas permanecem justamente porque nunca tiveram espaço para ser verdadeiramente escutadas.
Talvez existam feridas que não estejam pedindo para serem esquecidas, mas compreendidas. E, quando isso acontece, elas podem deixar de ocupar o centro da nossa vida. Não porque deixaram de existir, mas porque já não precisam carregar, sozinhas, o peso daquilo que nunca pôde ser dito.
Se existe uma dor que continua retornando mesmo após muitos anos, isso não significa que você é fraco ou incapaz de seguir em frente. Pode significar apenas que existe uma parte da sua história que ainda busca ser compreendida.
Na psicoterapia, não procuramos apagar o passado. Procuramos construir uma nova relação com ele. E, muitas vezes, é justamente quando uma dor encontra um espaço de escuta e significado que ela deixa de definir o presente.
A cicatrização emocional talvez não seja o desaparecimento da ferida, mas a possibilidade de continuar vivendo sem que ela determine quem você é.
Referências:
JUNG, C. G. A Natureza da Psique. Obras Completas, vol. 8/2. Petrópolis: Vozes.
JUNG, C. G. A Prática da Psicoterapia. Obras Completas, vol. 16. Petrópolis: Vozes.
STEIN, Murray. Jung: O Mapa da Alma. Petrópolis: Vozes.
VON FRANZ, Marie-Louise. O Processo de Individuação. In: JUNG, C. G. (Org.). O Homem e seus Símbolos. Rio de Janeiro: Nova Fronteira
Quem sou eu?

Brenda Suellen Santos Rodrigues
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Olá, bem-vindo(a)
Como psicóloga falo sobre dores que nem sempre são vistas por quem olha de fora, mas não quer dizer que não estejam sendo sentidas.
Muitas dessas dores acabam sendo silenciadas, por se falar pouco ou por não encontrar espaço seguro para poder compartilhar. Trabalho com terapia para brasileiros que vivem no Brasil e exterior, oferecendo um lugar onde as pessoas possam sentir que suas dores estão sendo ouvidas através da escuta de uma psicóloga e imigrante.
Moro na Europa desde 2023, essa experiência me permitiu sentir e falar sobre dores como: pertencimento, identidade, luto, adaptação, relacionamentos. Por essa razão meu trabalho tem um olhar e foco especial para jornadas de imigrantes.
Você não precisa morar fora para fazer terapia comigo. Atendo você de qualquer lugar no mundo.
A psicoterapia pode ser um caminho para você dar voz a sua história. Se você deseja dar mais atenção ao que você está sentindo, será um prazer acompanhar você.
Valor da Sessão / Tempo de duração
R$ 80,00
/
50 minutos
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