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Por que fazer terapia?

"Todo mundo precisa de terapia" parece ser uma máxima bem aceita, mas será que é assim mesmo?

14 de out. de 2025

Maithê Prampero

Psicoterapia
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No campo da Psicologia, é muito difícil oferecer respostas incluindo "sempre" e "nunca", ou dizer coisas taxativas. Me assusta quando vejo nas redes sociais algumas respostas que parecem prontas, para problemas que não são solucionados com um passo a passo. Mesmo considerando duas pessoas com um problema igual, exemplificando, um luto, cada um viverá de maneira única, individual. A demanda é sempre singular, pois assim são as histórias de vida e dificuldades.

Existe até mesmo uma brincadeira que se faz com os psicólogos, dizendo que a nossa resposta padrão é DEPENDE. Talvez essa seja a resposta mais sincera para os questionamentos, pois tudo depende de história, contexto, expectativas, traumas, angústias. Decidir ir ou ficar, vender ou comprar, casar ou seguir solteira, fazer ou não uma prova, mudar ou não de cidade, são todas aflições dignas de um depende, porque a priori, não é possível dizer "faça assim" ou "escolha isso". Autoritarismo e determinismos não combinam com uma Psicologia bem feita.

No caso da máxima "todo mundo precisa de terapia", por um lado parece fazer sentido, mas por outro parece generalização. Algumas pessoas vivem bem sem terapia, em paz com suas neuroses; outras vivem mal e não fazem terapia; algumas outras, ainda, fazem terapia para lidar com os que não fazem. Os motivos variam, mas dizer que todo mundo poderia se beneficiar parece desconsiderar muitas questões. A se considerar que se trata de um espaço de autoconhecimento e de escuta, em que se constrói a partir daquilo que já existe e que passa a ter espaço na clínica, de fato, todas as pessoas merecem ser ouvidas em suas dores e dificuldades. Apesar disso, dizer que todo mundo "deveria" parece criar uma demanda a serviço do sistema. A Psicologia não se presta, e não deveria, se prestar aos interesses do sistema. Todo mundo precisa de terapia por que é melhor para o ambiente de trabalho? Por que espera-se uma doutrinação e disciplina da terapia?

Pensando de outra forma, se apenas uma parcela consegue acessar essa modalidade de tratamento, então seria a psicoterapia benefício burguês, se prestando, ainda assim, ao sistema e suas vicissitudes?

Parece que a melhor resposta é mesmo um sonoro depende.

Pessoas irão para a terapia. E não irão. A pergunta que se faz é: por que e para que?

Muitos motivos justificam a busca pela terapia, até mesmo o desejo do sujeito de entender suas questões, a partir do fato de se ouvir falar.

Traumas, violências, dores, dificuldades.

Autoconhecimento, desejo de mudança, compreensão dos próprios motivos e escolhas.

Enfrentamento, sentido da vida, evolução.

Necessidade de suporte profissional para lidar com algo que foge aos próprios recursos.

Desejo, demanda, amparo.

Afeto, espelho, óculos.

As pessoas vão à terapia porque a vida fica pesada demais, ou porque já foi delicada demais e agora está difícil, porque existem memórias dolorosas e porque faltam memórias. Por ausências e presenças excessivas. Por medo de tudo perder o sentido, ou porque já perdeu e há o desejo de resgatar. Pessoas vão à terapia por medo, e deixam de ir também por aflições.

É importante lembrar que precisar de psicoterapia não é atestado de fraqueza, tampouco loucura. E se houver fortalezas e doideiras, bem, o diagnóstico é de ser humano!

 

 

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