
Tic, tac… o tempo passa. Já é uma hora da manhã e eu ainda não consegui dormir. Viro de um lado para o outro na cama, tentando fechar os olhos mais uma vez. Será que agora o sono vem? E se eu der uma olhada rápida no Instagram? Será que isso só vai atrapalhar ainda mais? Talvez aqueles vídeos relaxantes no YouTube possam me ajudar… Ou, quem sabe, contar carneirinhos. 1, 2, 3, 4, 5… Onde eu estava mesmo? Perdi a conta. Será que amanhã vou acordar com olheiras? Vou conseguir produzir no trabalho mesmo cansado? Meu Deus, que horas são agora? Quanto tempo ainda tenho antes de precisar levantar? Será que não seria melhor aproveitar esse tempo acordado para estudar? Talvez eu possa usar esse momento para produzir… Ou será que devo sair e comprar um remédio para dormir?
Atualmente, 1 em cada 3 brasileiros sofre de insônia, passando por uma sensação parecida com essa a noite, totalizando 73 milhões de pessoas com problemas para dormir. Estamos vivendo uma epidemia de distúrbios do sono. O que isso quer dizer sobre nós? Comumente escutamos falar sobre os diversos remédios que prometem curar a insônia e sobre os mais variados aplicativos e quiz da internet que analisam qual é o mínimo de horas que precisamos dormir para podermos acordar e continuarmos produzindo. Algumas pessoas se gabam porque precisam dormir apenas 4 ou 5 horas e acordam no dia seguinte capaz de manter as suas atividades no trabalho ou na escola, mas o que há por trás de tudo isso?
No livro e na série da Netflix, Cem Anos de Solidão, a vila passa por uma praga do sono em que os seus residentes não conseguem mais dormir. No início isso gera uma animação na comunidade, já que eles passam a ficar mais tempo acordados para fazer as tarefas do dia a dia. No entanto, à medida que os dias vão passando e ninguém dorme, começam a surgir outros sintomas, como o esquecimento das pessoas, das histórias, do sentido das coisas e até da própria existência.
Quando dormimos, o cérebro entra no processo de rebaixamento da consciência e no sono REM. O sono REM é um processo neuropsicológico em que o cérebro consegue repassar as memórias, os sentimentos e os aprendizados vividos no dia para serem processados e armazenados. E quando o indivíduo não quer entrar em contato com o que ele sentiu e viveu durante o dia?
Ao estarmos acordados, estamos em contato com a nossa consciência. Durante esse período, podemos escolher em que assunto mantemos a nossa atenção. Se um pensamento ou sentimento angustiante aparece, podemos entrar nas redes sociais para ver um vídeo rápido, ocupar os nossos pensamentos com o trabalho, etc. Muitas vezes, o único momento em que temos tempo para pensar sobre nós mesmos e a nossa vida é de noite, perto do horário de dormir. Por esse motivo, é muito comum escutar de pacientes que eles sentem crises de ansiedade à noite.
Você já parou para pensar qual é a função da sua insônia? Por qual motivo ela aparece? Ao rebaixar a sua consciência, ou seja, dormir, o indivíduo deixa de lado o controle daquilo que o seu cérebro irá pensar e sentir durante o sono. Quando dormimos, o nosso inconsciente realiza o sonho. Os sonhos são conteúdos em forma de imagens, sons e sensações que nos trazem uma mensagem sobre o que pensamos e sentimos. O sonho é como uma charada que demonstra aquilo que não conseguimos processar ou entrar em contato quando estamos acordados. Sonhar é entrar em contato consigo mesmo.
Durante a psicoterapia, mais especificamente a psicoterapia psicanalítica, é possível trazer o conteúdo dos seus sonhos para desvendar o que eles significam e o que eles estão tentando comunicar ao indivíduo. Eles funcionam como uma chave para compreender sentimentos, conflitos e desejos que não conseguimos acessar de maneira consciente e diminuir a insônia.
Geovanna Moreira Bastos - CRP 01/30116
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