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Quando a vida deixa marcas invisíveis: entendendo o estresse pós-traumático

30 de set. de 2025

Psicóloga Andreza Fonseca Lima -CRP 11/23449

Autoconhecimento
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Existem acontecimentos na vida que nos atravessam de forma tão intensa que não conseguimos simplesmente deixá-los no passado. São experiências que marcam profundamente e deixam cicatrizes invisíveis — marcas que não aparecem no corpo, mas que se manifestam na forma como pensamos, sentimos e nos relacionamos com o mundo. Esse é o caso do estresse pós-traumático, um quadro que surge quando vivemos ou testemunhamos situações de extrema ameaça, dor ou violência, como acidentes, abusos, desastres, perdas inesperadas ou contextos de guerra.

Ao contrário do que muitos acreditam, o trauma não termina quando o evento passa. Para quem sofre com o estresse pós-traumático, o corpo e a mente continuam reagindo como se o perigo ainda estivesse acontecendo. É como se a vida tivesse ficado congelada no momento da dor. Lembranças repentinas, pesadelos, sensações de medo intenso, coração acelerado sem motivo aparente, dificuldade de dormir e até um estado de alerta constante são sinais frequentes. A pessoa sente que não pode relaxar, que precisa estar sempre pronta para se defender — mesmo quando não há ameaça real.

É importante dizer: o estresse pós-traumático não é sinal de fraqueza. Ele é uma resposta humana a algo que ultrapassou os limites do suportável. Reconhecer isso é fundamental para quebrar o silêncio e abrir espaço para o cuidado.

O tratamento pode envolver psicoterapia, que oferece acolhimento e ferramentas para ressignificar o trauma, reconstruindo, pouco a pouco, a sensação de segurança.

Cuidar do corpo também faz parte da recuperação. Práticas como exercícios físicos leves, técnicas de respiração, meditação, contato com a natureza e a criação de uma rotina mais estável podem ser aliados no processo de cura. São passos pequenos, mas que juntos contribuem para que a pessoa volte a sentir que pode confiar em si mesma e no mundo.

Falar sobre o estresse pós-traumático é um convite à empatia. Muitas vezes, quem sofre com ele parece bem por fora, mas por dentro trava batalhas intensas. Dar visibilidade a esse sofrimento é uma forma de mostrar que existe saída, que pedir ajuda é possível e que ninguém precisa enfrentar sozinho o peso das memórias dolorosas.

O trauma pode fazer parte da história de alguém, mas não precisa definir o seu destino. Com cuidado, apoio e tempo, é possível reconstruir caminhos, reencontrar a esperança e descobrir que a vida pode florescer novamente, mesmo depois das tempestades.

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