
Você já acordou com o coração acelerado sem saber por quê? Já sentiu aquela tensão no peito no meio de um dia comum, sem nenhum evento específico que justificasse? Já ficou com a sensação de que algo ruim estava para acontecer, mesmo sem nenhuma evidência de que isso era verdade?
Se sim, você não está sozinha. E você não está exagerando.
A ansiedade é uma das queixas mais frequentes entre as mulheres que chegam até mim no consultório. E uma das primeiras coisas que eu percebo é o quanto elas chegam com culpa. Culpa por sentir. Culpa por não conseguir "controlar". Culpa por estar ansiosa mesmo tendo, na visão delas, "motivos de sobra para ser grata".
Mas a ansiedade não funciona assim.
Ela não é proporcional aos seus problemas objetivos. Ela não aparece só quando a vida está difícil. Ela é uma resposta do sistema nervoso, um sistema que foi moldado, ao longo de anos, por experiências, aprendizados e padrões que muitas vezes nem lembramos mais.
O corpo entra em alerta porque aprendeu que precisa estar em alerta. Não porque você é fraca. Não porque você está inventando. Mas porque em algum momento, estar vigilante fez sentido e o sistema nervoso ficou preso nesse modo.
Para as mulheres, isso tem uma camada a mais. A gente é socializada para estar sempre atenta às necessidades dos outros, para antecipar conflitos, para manter o ambiente em equilíbrio. Isso é uma forma crônica de hipervigilância. E hipervigilância, com o tempo, vira ansiedade.
Além disso, o ciclo hormonal feminino tem impacto direto nos níveis de ansiedade ao longo do mês, algo que ainda é muito pouco discutido e que faz com que muitas mulheres se sintam "loucas" em determinadas fases do ciclo sem entender o que está acontecendo.
A boa notícia é que a ansiedade, quando escutada, tem muito a dizer. Ela não é inimiga. Ela é um sinal. E sinais, quando compreendidos, perdem a força de nos paralisar.
Se você convive com a ansiedade há tempo e sente que ela já está interferindo na sua qualidade de vida, esse pode ser o momento de buscar apoio. Não porque você está mal demais, mas porque você merece estar bem.





